Paladar

Só queijo

Aventuras lácteas entre o Brasil e a França

Loja de queijos holandesa vai além da oferta dos goudas

Queijos azuis, de leite cabra lácticos, de cascas lavadas... René Koelman seleciona produtores fora do comum para a cultura queijeira do país

17 de dezembro de 2019 | 18h28 por Débora Pereira

René Koelman trabalha como comerciante de queijos especiais na Holanda desde 2002. “Aqui é a terra dos Goudas, só tem gouda, gouda, gouda…  Mas, nos últimos 10 anos, o mercado vem mudando aos poucos. Com essa tendência de consumo local, chefs de restaurantes querem ter só produtos locais nos seus cardápios. Felizmente novos produtores holandeses estão mudando suas receitas e inovando”, disse.


Koelman e dois queijos holandeses tipo camembert Zwaluwgekwetter. FOTO: Arnaud Sperat Czar/Profession Fromager

 

No vídeo a abaixo, ele apresenta três queijos holandeses à la française: o de cabra de fermentação láctica Swarte Toer (nome que significa “torre negra”, de leite cru), o de leite de vaca azul Blauw Klaver (“erva azul”) e o tipo camembert Zwaluwgekwetter (“canto de andorinha”).

 

Percurso queijeiro

“Para ter queijos de massas moles, azuis ou de leite de cabra na minha loja eu sempre tive que importar da França”, conta René. Ele começou a trabalhar com queijo em 1995, como vendedor da Kaptein, uma indústria de laticínios holandesa. Em 1999, mudou para Paris e trabalhou no mercado internacional de Rungis, para uma empresa de exportação e importação de queijos. “Vendi queijo holandês na França e comprei queijo francês para a Holanda”, explica ele.


Queijo de leite de vaca azul Blauw Klaver, pasteurizado. FOTO: Arnaud Sperat Czar/Profession Fromager

 

Lá, René teve contato com a diversidade de queijos franceses, “o que me motivou a ter essa paixão pelo paladar, pela qualidade dos produtos”, disse ele. De volta à Holanda em 2002, ele trabalhou para desenvolver a gama para Lindenhoff  e começou a promover degustações de queijos e vinhos para os amigos em casa. O aumento da demanda o levou a criar sua própria boutique, a Bourgondisch Lifestyle, que significa “estilo de vida da Borgonha”, região nobre de queijos e vinhos franceses.

Ilha central de queijos de todas as famílias. FOTO: Arnaud Sperat Czar/Profession Fromager

 

Em 2006, ele abriu a primeira loja em Beverwijk, 20 quilômetros a noroeste de Amsterdã. Com a particularidade de ter todas as famílias tecnológicas de queijos de vários países, e toda uma seleção de vinhos estrangeiros. Hoje, ele tem uma outra loja no centro de Amsterdã.


Fachada da loja de Amsterdã. FOTO: Arnaud Sperat Czar/Profession Fromager

 

“Setenta por cento das minhas vendas são para restaurantes e hotéis, 15% para exportações e 15% é vendido no varejo nas duas lojas”, conta ele. Seu próximo projeto é a ocupação de um forte militar perto de Amsterdã para curar queijos e distribuir em todo país.


Henri Haesaert, que trabalha na loja. FOTO: Arnaud Sperat Czar/Profession Fromager

 

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