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Aventuras lácteas entre o Brasil e a França

Presidente dos queijeiros da França prepara vinda ao Brasil

Claude Maret fala do papel do queijeiro comerciante na França como fundamental para educar os clientes; confira a entrevista em vídeo

28 de março de 2019 | 05h56 por Débora Pereira

Claude Maret, o presidente da Federação dos Queijeiros da França virá ao Brasil em agosto para ser o líder do concurso do Mundial do Queijo do Brasil.

O Mundial será realizado em Araxá (MG) de 8 a 11 de agosto. E as inscrições para o concurso serão abertas na primeira semana de abril.

A Federação é a entidade nacional francesa que representa os comerciantes de queijo, estimados em 3.500 no país. São comerciantes que vendem majoritariamente queijos em espaços que, de tão caprichados, são chamados de boutiques de queijo. Cada atendimento é uma aula de história, geografia e cultura do queijo. Algumas boutiques parecem até uma loja de jóias, com os queijos delicadamente expostos em vitrines e redomas de vidro.

Casquinhas crocantes de mimolette com grãos de papoula na boutique Griffon, em Paris. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

“Nossa profissão é muito mais do que o comércio”, justifica Claude. “É dar conselho em relação a história, território e análise sensorial do produto. Nosso futuro está em encontrar bons queijos, na valorização dos produtores e de seus territórios.”

Para preparar os comerciantes para essa “missão” de educadores do queijo, a federação oferece um catálogo anual de cursos, que vão desde o lado de dentro da porteira da fazenda (raças, métodos de agropecuária…) até a geladeira do consumidor, em um universo múltiplo de queijos (confira aqui o catálogo 2019).

Uma típica boutique francesa de queijos: madeira, vidro, e muitas luzes para valorizar os produtos (La Ferme de Alexandra, cidade de Chevreuse). FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

Esses profissionais são chamados de crémiers-fromagers (algo que pode ser traduzido como “cremeiro-queijeiro”), porque eles realizam diariamente preparações com cremes, como mousses, panna cottas, iogurtes etc. No Brasil, o nome “queijeiro” tem sido utilizado tanto para produtores quanto comerciantes especializados.

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Guilde internacional vem conhecer o queijo brasileiro

Claude Maret faz parte da comitiva da Guilde Internationale des Fromagers, associação francesa de alcance internacional com mais de 6.500 membros em diversos países, que vai percorrer quatro estados brasileiros de 4 a 14 de agosto.

A comitiva irá visitar as cidades de Natal (RN), São Paulo (SP), Araxá (MG) e Rio de Janeiro (RJ). O ponto alto da viagem será o Mundial do Queijo do Brasil, salão com concurso internacional de queijos e produtos lácteos realizado pela SerTãoBras e parceiros como a Aqmara (Associação dos Produtores do Queijo Araxá).

Para preparar os jurados para o Mundial, a mestre queijeira Claudine Vigier Barthélemy vai realizar um seminário em Araxá, no dia 9 de agosto, antes do concurso. “Nós iremos demonstrar como avaliar um queijo nos quesitos aparência, textura, sabores e odores”, promete Claudine.

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