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Aventuras lácteas entre o Brasil e a França

Requeijão caipira de Fernandópolis conquista paulistas

Peças com 500 gramas são entregues em todo estado via sedex; destaque para a versão "rapa do tacho", com casquinhas crocantes

06 de maio de 2020 | 18h38 por Débora Pereira

Esse requeijão do noroeste paulista não deixa nada a desejar ao tradicional requeijão do norte de Minas – principalmente na versão com “rapa de tacho”.  A iguaria é feita pela queijaria Jeito de Mato, em Fernandópolis, a 550 km da capital paulista. Encomendas podem ser feitas via WhatsApp (17 99702-6383).

Requeijão com raspas do tacho. FOTO: Diego Trevizan/Acervo Pessoal

 

Jornalista de profissão, Diego Trevizan abandonou a carreia de radialista para se tornar produtor de queijo artesanal.  Com sua esposa Débora Herrero, resolveu começar a transformar o leite de 13 vacas do sítio da família. “O sucesso de vendas foi tanto que recebemos a visita da fiscalização estadual de Defesa Agropecuária (EDA/SP). Oitenta e cinco quilos de queijo foram apreendidos e destruídos, o que nos motivou a regularizar a produção e adotar as regras do Sisp.”

Requeijão sendo mexido, importante fase da fabricação. FOTO: Diego Trevizan/Acervo Pessoal

 

“O requeijão caipira é uma receita que aprendi com minha mãe, observando a fabricação ainda criança. Quando comecei a trabalhar com queijos em 2014, foi o primeiro da nossa gama, junto com o queijo fresco”, conta Trevisan.

O requeijão continua sendo o mais vendido, mas a gama da queijaria cresceu com os queijos frescos temperados e o queijo Campeiro, de massa semicozida, curado por 45 dias. “Meu sonho é voltar a produzir com leite cru, tive que parar desde que me regularizei, mas espero que a legislação paulista avance nesse ponto. Temos boas práticas, queijaria dentro das normas, exames em dia. Não tem motivo para dizer que meu leite cru não é seguro”, acredita.

Débora, a esposa, trabalha na parte administrativa. FOTO: Diego Trevizan/Acervo Pessoal

 

A maior dificuldade para queijos artesanais continua sendo a logística de envio. “Estou a 100km do aeroporto de São José do Rio Preto, transportadoras não levam pequena quantidade e o comerciante não está disposto a pagar o custo com o transporte. A saída é o sedex 10 enviado com bastante bolsa de gelo”. A peça com 500 gramas do requeijão custa R$ 20, mas chega em São Paulo pelo dobro do preço.

Hoje a queijaria trabalha com 200 litros de leite por dia, “produzidos no sítio mesmo”, conta Diego. “Nosso gado é Girolando, criado a pasto. Apenas no período de seca fazemos o trato das vacas com silagem de milho, também produzida na fazenda.”

Processo de fabricação. FOTO: Diego Trevizan/Acervo Pessoal

 

Originalmente, a receita manda deixar o leite “azedar” de forma natural. Em seguida, a massa coalhada é levada ao tacho, lavada com leite fresco e apurada até o ponto desejado. Depois disso, adiciona-se o sal e coloca nos potes para venda. “Após a regularização junto ao Serviço de Inspeção de Fernandópolis, eles nos proibiram de deixar o leite azedar naturalmente e passamos a usar o ácido cítrico. Foi a única alteração no processo de fabricação. Continuamos fazendo ele no tacho e batendo a massa manualmente”, afirma Trevisan.

Modificação em 10 de junho: Ao contrário do publicado em 6 de maio de 2020, Diego não envia por sedex para todo Estado porque seu requeijão só é vendido dentro do município de Fernandópolis. Erro dessa jornalista. O produtor espera enviar para outros municípios assim que tiver a certificação estadual. Por enquanto, quem quiser comprar precisa ir até Fernadópolis.

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