Paladar

Só queijo

Aventuras lácteas entre o Brasil e a França

Sete queijos, quatro bebidas e muitas sensações

Durante o Festival Fermentar, queijos brasileiros e franceses foram harmonizados com vinhos e cervejas

29 agosto 2018 | 12:09 por Débora Pereira

Como avaliar um queijo? Aparência visual, textura, grau de derretimento na boca e permanência dos sabores no paladar são alguns dos quesitos utilizados durante uma degustação, como a que conduzi com o mestre-queijeiro Hervé Mons domingo passado (26) em Brasília, durante o Festival Fermentar.

O tema do encontro foi a análise sensorial de queijos brasileiros e franceses. Foram provados: Saint Nectaire (vaca, casca de mucor), Castillon (cabra), Soumaintrain (casca lavada), Gruyère Mons (massa prensada cozida), Petit Blaja (cabra de tecnologia do cheddar), Canastra (da Fazenda da Matinha do Ouro) e Bleu d’Auvergne (azul). Além de avaliar cada um, propusemos um exercício de harmonização.

Da esquerda para direita: Saint Nectaire, Castillon, Soumaintrain, Gruyère Mons, Petit Blaja, Canastra e Bleu d’Auvergne. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

No paladar, diversos tipos de reações são percebidas quando acompanhamos queijos e bebidas. São relações de dominação, oposição ou complementaridade.

Por exemplo, o Gruyère de 24 meses, curado em túnel com umidade saturada, explode suas notas doces de caramelo e frutas secas quando impulsionado por um vinho tinto.

O queijo Soumaintrain jovem de um mês, lavado na salmoura e cachaça de uvas a cada dois ou três dias por 21 dias, o que resulta na casca vermelha pegajosa, passa uma transmutação quando apreciado com um vinho branco seco. Quem ousa provar sua massa bem branca depois de enfrentar os odores sulfurosos da casca se depara com notas de creme e fermentação alcoólica.

O Soumaintrain da Bourgogne vai muito bem com um vinho branco seco da mesma região. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

 

Silêncio e concentração são necessários para escrever a avaliação de cada queijo. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

Já queijos de massa dura, mas bem úmidos e de leve amargor, como o Canastra curado por cinco meses na França, combinam com cerveja escura que têm também aquele fundinho da fermentação amarga.

Há apostas certas nos jogos de harmonização, mas, como gosto é algo muito subjetivo e as opiniões pessoais são as mais diversas, casar certos queijos e bebidas é um exercício que pode ir do encantamento à estranheza.

Queijo canastra feito pelos produtores Eliane e Otusseziano Freitas (Fazenda da Matinha do Ouro) e curado por Hervé Mons na França. FOTO: Débora Pereira/SerTãoBras

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