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Só queijo

Aventuras lácteas entre o Brasil e a França

Uma loja de queijos com sotaque gringo em Paris

Dois sócios e um único desejo: apresentar aos parisienses sabores de queijos de outros lugares

12 de agosto de 2020 | 14h46 por Débora Pereira

A queijaria Cow, em Paris, está completando um ano de existência, sinal que mesmo com o coronavírus o negócio deu certo. “Cow”, vaca em inglês, é também a sigla para “Cheese of the World” (queijos do mundo), uma loja diferente por oferecer uma variedade internacional de queijos em um ambiente moderno e descontraído.

Cow : Cheese of the World. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

Alexandre Renault, um dos sócios conta que a ideia de abrir uma loja que se dedicasse quase exclusivamente a queijos estrangeiros surgiu ao observar que a gama de queijos estrangeiros na França é bem limitada.

Visão a partir do fundo da loja. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

“Ninguém tinha se atrevido a fazer isso antes, uma loja com 80% de queijos estrangeiros em Paris. Dizemos aos clientes que o queijo nos faz viajar por sabores que não estão habituados a descobrir nas queijarias tradicionais, mas pelas dificuldades de logística oferecemos uma seleção bastante curta – cerca de cinquenta referências – de quinze países. Mas também temos também alguns queijos franceses” afirma  Renault.

Antoine Farge, o outro sócio, lembra que estava há quatro anos na Dinamarca e visitou uma queijaria com queijos incríveis. “Cada vez que eu voltava do exterior, trazia queijos que não encontrava aqui. Percebi que havia um conceito a ser desenvolvido” justifica ele.

Balcão separa cliente do vendedor. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

O maior desafio, claro, é a logística. “Temos que negociar diretamente com cada fornecedor, o que exige muita organização e gestão. Da Alemanha, temos o Alp Blossom (uma massa cozida curada com uma camada de flores), o Limburger de casca lavada … Da Inglaterra, os queijos vem da Neal’s Yard. Da Áustria, o Sibratsgfaell. Da Dinamarca, o Gammelknas e o Gnalling. Da Espanha, o Cabezuela tradicional, o Pata de mulo e o 4 Picos. Da Irlanda, o Coolea. Da Itália, Burrata di Andria, Caciocavallo Irpino, Marzolino d´Etruria, Montebore, Stravacco … De Portugal, São Jorge, São Miguel e Serra da Estrela … Da Suécia, Wrangebäck … Por outro lado, os produtos frescos são 100% franceses”.

Dar “provinhas” é fundamental para apresentar novos queijos. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager

Segundo os sócios, os clientes no início eram só famílias e pessoas do bairro, o 5º arrondissement de Paris. Mas aos poucos foram aparecendo outros perfis, os expatriados que vêm aqui em busca dos sabores do seu país. “O que mais tem são portugueses e já tivemos brasileiros em busca do queijo canastra, mas explicamos que infelizmente não existe permissão para exportar no Brasil” conta Alexandre.

“Como os sabores dos queijos que apresentamos são novidade para os clientes, sempre damos uma provinha de cada queijo, isso acaba representando 10% do nosso volume de vendas, mas é importante fazer conhecer novos sabores …” conta Antoine.

Conheça a loja no vídeo abaixo

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