Paladar

Bebida

Bebida

40 vinhos brancos de verão

Dá até para tomar tintos leves e rosés no calor, mas verão combina mesmo é com vinho branco. Selecionamos 40 sugestões de especialistas. Os vinhos estão agrupados por ‘personalidade’: minerais, cítricos, frutados e florais

18 janeiro 2017 | 18:14 por Isabelle Moreira Lima

Este seleção traz 40 vinhos brancos leves e frescos, ideais para aplacar a sede e estimular as papilas nos dias quentes. A ideia é oferecer opções para diferentes ocasiões. E foi por isso que resolvemos reuni-los em quatro grupos de aroma e sabor. Em outras palavras, pela personalidade: minerais, florais, frutados e cítricos. Os vinhos podem ter outros traços, afinal a maioria apresenta ao mesmo tempo aromas florais, frutados e cítricos (uma subcategoria dos frutados). Mas esses são os mais marcantes em cada grupo.

Montei esta seleção com a colaboração de outros seis especialistas, o diretor da ABS-SP Guilherme Velloso e os sommeliers Adiu Bastos (Tuju), Fernando Perazza (Ovo e Uva), Gabriel Raele (Bardega), Lerizandra Salvador (Vicolo Nostro) e Marina Bertolucci (Canaille). 

 

  Foto: Tiago Queiroz|Estadão

Além de escolher bons vinhos, outra preocupação foi mostrar que há boas opções também de baixo custo, por isso, os brancos apresentados a seguir custam de R$ 41 a R$ 130. Eles são fáceis de encontrar em lojas da cidade e têm outro ponto em comum: são jovens. Quanto mais novos mais expressivos e exuberantes os seus aromas. 

Ficou com água na boca?

Todos eles têm corpo leve e baixo nível de álcool, o que os tornam mais fáceis de beber, especialmente no calor. Preferimos também os que têm pouca ou nenhuma passagem por madeira, mais apropriados aos pratos leves da estação.

E seja rigoroso com o termômetro: a temperatura certa melhora o vinho porque “abre” os aromas e sabores. A regra para brancos é de 8ºC a 12ºC. Nem mais, nem menos – os muitos gelados inibem as papilas. Se você não tiver termômetro, 30 minutos na geladeira ou 15 num balde com gelo devem bastar. E mantenha a garrafa no balde com bastante gelo. 

 

  Foto: Felipe Rau|Estadão

 

MINERAL 

Mineralidade é um conceito tão querido quanto polêmico no mundo do vinho, além de relativamente recente, tendo se popularizado nos primeiros anos do novo milênio. O que pode-se dizer de preciso é que o termo é impreciso. É mais fácil dizer o que um vinho mineral não é – e ele não é frutado, floral nem vegetal. 

A mineralidade sempre foi relacionada a vinhos brancos, como na clássica nota de pedra de isqueiro dos Rieslings, ou de calcário dos Chablis e Sancerre. Mas sua presença transbordou essas fronteiras e hoje é citada a torto e a direito por produtores, degustadores e marqueteiros, que a usam como sinal de qualidade, causando certo mau humor em alguns connaisseurs. 

Ainda se sabe pouco sobre o que faz um vinho ter mineralidade. Jancis Robinson, na última edição do Oxford Companion to Wine, afirma que análises sensoriais e químicas apontaram que vinhos com características minerais têm alta acidez, possivelmente relacionada a solos alcalinos. A característica pode ainda estar ligada à presença de componentes relacionados ao enxofre.

 

FLORAL 

Neste verão, encha a taça com aromas de flores. E não pense que vinhos com essas características são doces ou chatos, sem vida ou com a acidez apagada. Os vinhos com notas florais podem ser vibrantes e casam bem com pratos aparentemente difíceis, como os mais condimentados e apimentados, da cozinha baiana à tailandesa. 

Entre as flores mais conhecidas que reinam no campo dos brancos, a de sabugueiro pode sair da taça de um vinho jovem de clima frio, como os da Alsácia, por exemplo. A de laranjeira, de um bom Muscat. Os Rieslings, minerais por natureza, também podem ser levemente florais. 

Já entre as cepas, a Gewürztraminer e a Viognier, além da Moscatel e da Torrontés, são as que deixam mais evidente seu caráter floral. Se você nunca sentiu esses aromas ou acha difícil de entender, fica a dica: comece por aí.

 

FRUTADO

Na aula número um de qualquer curso de vinhos se aprende que declarar que um vinho é frutado não quer dizer muito. Mais importante é dizer que fruta se nota nele: tropical, branca, amarela, de caroço, cítrica? E em que estágio de maturação ela está? Verde, fresca, madura, cozida, geleia? Para combinar bem com o verão, o vinho deve ter muita fruta fresca no nariz, que pode sinalizar leveza e frescor na boca. 

Nesta seleção você encontrará principalmente frutas tropicais, sendo o abacaxi, tão presente em certos Chardonnay e outros brancos fermentados a frio, o protagonista, e a lichia, marca de muitos Gewürztraminer, a coadjuvante. Frutas brancas, como a maçã verde e a pera, estão nos piemonteses; e as de caroço, como os damascos, presentes em Viognier.

 

CÍTRICO

A família das frutas cítricas tem tamanha personalidade que mereceu um capítulo à parte. Aromas de limão, laranja, tangerina, lima e grapefruit remetem a frescor imediatamente e, por consequência, são a cara do verão. Além disso, vinhos com estas notas são incríveis coringas na harmonização com a comida, o que quer dizer que saem-se bem escoltando toda sorte de pratos, ainda que combinem especialmente com os mais leves como saladas a sushis, passando por ceviches e queijos. 

Versatilidade, acidez e graça na mesma medida aumentam a drinkability, como dizem os cervejeiros, ou seja, a facilidade de se beber algo. E quem precisa de mais para o verão?

Abaixo, você confere as sugestões de rótulos com aromas que são puro frescor. 

 

Ficou com água na boca?