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É de birra. Mas não só

Carolina Oda

A cachaça tem tudo para encher os brasileiros de orgulho

A cachaça é um grande destilado; ao contrário do uísque, que só usa o carvalho para envelhecimento, temos mais de 30 madeiras nativas que emprestam aromas e sabores à bebida

06 abril 2016 | 17:25 por Carolina Oda

Se tem algo que irrita um apreciador da bebida brasileira mais genuína é ouvir alguém usar o termo “cachaceiro” de modo pejorativo. A cachaça é um grande destilado e tem tudo para encher os brasileiros de orgulho. 

A cachaça tem sido cada vez mais valorizada no Brasil e no exterior em toda a sua diversidade de notas e sabores que não se encontram em nenhum outro destilado, resultado do processo de produção e também do armazenamento em barril de madeiras nativas. Mais de 30 madeiras já emprestam aromas e sabores à cachaça, como amendoim, amburana, bálsamo, ipê, jequitibá – morram de inveja, senhores de kilt acostumados a guardar seus destilados apenas em barril de carvalho.

Mas nem todo mundo sabe tirar da cachaça o melhor. A primeira dica é servi-la à temperatura de 20ºC (se estiver mais quente, o álcool predomina; muito fria, fica licorosa e os aromas desaparecem). Use uma taça tipo cálice pequena, de base arredondada e borda fechada, que concentra os aromas e direciona o líquido para a ponta da língua. Não sirva doses muito pequenas - os aromas se perdem muito rápido -, nem muito grandes - não é possível girar o líquido no copo, nem há boa liberação de aromas. E antes de comprar a garrafa, ou de bebê-la, confira se o rótulo traz o registro – obrigatório – do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. 

Fiz uma seleção de marcas e as degustei com Paulo Leite, do Empório Sagarana, que me ajudou com dicas para reconhecer uma boa cachaça. Veja abaixo.

Encantos da Marquesa

Encantos da Marquesa Foto: Divulgação

1. ENCANTOS DA MARQUESA PRATA 2011

Indaiabira, Minas Gerais

R$ 52 (600 ml) no Empório Sagarana

Uma mistura de cachaças brancas, sem envelhecer, feitas com duas variedades de cana: branca e amarela. Tem aroma convidativo, com notas florais e herbais. Traz a safra no rótulo, reforçando a influência do território.

Tiara Rainha

Tiara Rainha Foto: Divulgação

2. TIARA RAINHA

Barra Longa, Minas Gerais 

R$ 67 (670 ml) na cachacarianacional.com.br

Envelhecida em carvalho e jequitibá por três anos. Cachaça dourada, com o diferencial da combinação de madeiras e fermentação natural, fácil por ser redonda e ter leve doçura, com notas florais e de baunilha.

Patrimônio

Patrimônio Foto: Divulgação

3. PATRIMÔNIO

Pirassununga, São Paulo 

R$ 32 (600 ml) em www.amburana.com

Envelhecida em bálsamo por três meses. Como o envelhecimento é feito em barril novo, é indiscutível a predominância das características muito herbais da madeira, que é meio “ame-a ou deixe-a”.

 

  Foto: Weber Haus Amburana Foto: Divulgação

4. WEBER HAUS AMBURANA

Ivoti, Rio Grande do Sul 

R$ 64,50 (670 ml) no Rei dos Whiskys

Envelhecida em amburana por um ano, ela é adocicada, licorosa e tem intensas características da madeira, lembrando baunilha, 

canela e amêndoa.

Sabe beber cachaça?

Olhe

O líquido deve ser límpido, brilhante, sem partículas suspensas. A cor pode ir do transparente ao âmbar escuro, dependendo da madeira, do envelhecimento ou da adição de caramelo, permitida por lei.

 

Sirva e observe

A boa cachaça, assim que servida, forma o rosário, um colar de bolhas na sua superfície. 

Gire a taça

Veja se lágrimas escorrem pelas laterais do copo: cachaça boa chora.  

Cheire

Aproxime o nariz até 3 cm de distância do copo. Procure notas da cana e da madeira. Com o tempo no copo, o buquê aromático se evidencia. Cheiro de solvente, acetona, plástico, esmalte, fruta passada e azedo são mau sinal. 

Ponha na boca

Comece com pequenos goles, para curtir a bebida aos poucos, mas não muito pequenos pois não oferecerão uma percepção completa da bebida. Os goles devem ser suficientes para que o líquido circule por toda a boca e os aromas se soltem. 

 

A cachaça boa não queima

Ela aquece, tem acidez, mas não pode dar a sensação de rasgar a garganta. 

"Diário da Cachaça", em inglês e português

"Diário da Cachaça", em inglês e português Foto: Reprodução

Diário da Cachaça

Autor: Felipe Januzzi 

Publicação: Mapa da Cachaça

Saiu um livrinho sobre cachaça bem bacana, desenvolvido pelo “Mapa da Cachaça”, com edição de Felipe Januzzi e versões em português e inglês. É uma espécie de diário que traz informações básicas sobre cachaça e algumas madeiras, dá as coordenadas para a análise sensorial, cita os principais defeitos, tem um passaporte para ser carimbado por alambiques que recebem visitação e fichas para você fazer sua avaliação sensorial. Custa R$ 15 no site www.amburana.com.

 

Ficou com água na boca?