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A danada da inspiração

Por Fernando Paulino Neto

13 setembro 2013 | 11:16 por redacaopaladar

A “marvada” é motivo para a criação de um sem número de músicas brasileiras. E a “branquinha” cedeu mais uma vez dois dedinhos de inspiração. Desta vez para Alessandro Corrêa, produtor e pesquisador do CD “Bebida Nacional” (ouça aqui), que faz um passeio musical pelos diversos ritmos regionais, tendo como tema a “branquinha”.

O passeio músico-geográfico de Corrêa e seus parceiros começa com homenagem a Dorival Caymmi e o cancioneiro baiano. Em cada música, o título alude a um apelido da pinga na região da qual o ritmo é originário. “Faz-Xodó″, o título da faixa, em parceria com Celso Araujo, é uma referência à região de Santo Amaro, por exemplo.

A festa passa pela milonga gaúcha, pelo samba, chorinho, forró, marcha de carnaval, frevo e outros ritmos. E, para não deixar o preconceito contra a “água que passarinho não bebe”, que sempre houve no Brasil, de fora, Corrêa compôs uma modinha, ritmo que era considerado “o canto branco”. A “danada” era bebida de pobre. Não era aceita nos salões da sociedade onde, atualmente, consegue penetrar.

FOTO: Mapa da Cachaça/Reprodução

A cachaça e os ritmos brasileiros sempre estiveram intrinsecamente ligados. Quando alguém procurava Carlos Moreira de Castro em sua casa no morro de Mangueira, sua mulher, conformada, dizia: “Está por aí, fazendo jus ao apelido”. Carlos Cachaça, parceiro mais frequente de Cartola, candidamente explicava a razão da alcunha. “É que quando comecei a andar por aqui, tinha um outro Carlos, que gostava de cerveja”, dizia, sem explicar porque, para diferençar, ele ficou com a “caninha” no nome.

Em 2006, a junção de cachaça e música ganhou, pela voz de Alfredo del Penho e Pedro Paulo Malta um CD inspirado. Com produção do estudioso Henrique Cazes, tem composições, entre outros, de Noel Rosa, Candeia, Aniceto do Império, Moacyr Luz e Jota Canalha (alter ego politicamente incorreto de Cazes). Com sambas como “Ai, Cachaça!”, “A Verdade é Pura”, “Malvada Pinga”, “Cachaça dá samba”, “Baranga das Dez, broto das Duas”, o CD “Cachaça dá samba”, faz jus ao apelido.

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