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Heloisa Lupinacci

A saison da Manu

A Eat Me foi concebida para o SIM Brasserie, que abre no dia 21 de janeiro

11 dezembro 2013 | 18:08 por Heloisa Lupinacci

As paranaenses Way Beer (cervejaria) e Manu Buffara (chef) criaram uma cerveja em parceria. A Eat Me foi concebida sob medida para o novo restaurante de Manu, o SIM Brasserie, que abre no dia 21 de janeiro.

A Eat Me é uma saison, estilo que surgiu na Bélgica, na região da Valônia, e que deve seu nome ao fato de ser, na origem, uma cerveja sazonal: era feita no final do inverno para ser bebida no verão. Segundo a definição, a saison deve ser leve, clara e ter aroma frutado. Pode ser temperada com condimentos, e entre os sabores condimentados deve prevalecer o picante. O estilo foi escolhido por permitir mais liberdade e, mesmo assim, a Eat Me não é uma saison ao pé da letra. “A gente não quis seguir a classificação oficial. Ela é a nossa interpretação de uma saison”, diz Alejando Winocur, diretor da Way.

FOTO: Divulgação

Depois das primeiras conversas, foram feitas quatro cervejas teste – duas com uma levedura, duas com outra e cada uma com um tempero diferente. Elas foram testadas em um evento lá na cervejaria e ganhou, por unanimidade, a receita temperada com semente de coentro e casca de laranja – curiosamente, esse é o tempero das witbiers, como Hoegaarden e Vedett Extra White (e da Inedit, witbier desenvolvida por Ferran Adrià com a Estrela Damm, leia abaixo). No começo da conversa entre a chef e a cervejaria, surgiu a ideia de fazer uma witbier.

“Quando a gente faz a cerveja, a fábrica fica perfumada, porque a gente recebe essa semente de coentro super fresca e mói na hora”, diz Winocur. “A semente de coentro dá uma coisa aveludada para a cerveja”, comenta a chef, que diz que havia imaginado uma cerveja não muito pesada. Winocur prefere não definir a Eat Me como leve (apesar de ela ter apenas 4,2% de álcool) porque “ela tem as especiarias bem marcantes”.

E harmoniza com o que? “No contrarrótulo, a gente sugere que a cerveja harmoniza bem com verões chuvosos e invernos ensolarados, que é uma característica bem curitibana”, ri Winocur. “Mas é uma cerveja que combina com bastante coisa. Não tem muita restrição de harmonização.”

Na nova casa de Manu Buffara, que será ao lado do restaurante Manu, a comida é do tipo “casa de vó”. “Como eu sou do interior do Paraná, quis montar um restaurante com essa cara de casa de família”, diz a chef. O restaurante tem um horário de funcionamento elástico – de terça a domingo, das 11h30 até o último cliente – é mais barato (o chamado tíquete médio, cálculo que os restaurantes fazem de quanto cada cliente gasta, com bebida, é R$ 80) e servirá o chope Eat Me por R$ 6,90 – com certeza harmoniza com a porção de bolinho de arroz.

Além de ser servida como chope no restaurante, a Eat Me poderá ser comprada em garrafas em pontos de venda do Brasil todo. Ela deve custar em torno de R$ 10 a garrafa de 310 ml.

Cerveja de chef

Manu Buffara não é a primeira chef a ter sua cerveja. Em 2009, Ferran Adriá criou, com a Estrella Damm, a Inedit, de malte de cevada e de trigo e aromatizada com semente de coentro, casca de laranja e alcaçuz. No começo deste ano, Joel Robuchon e a japonesa Sapporo lançaram a Yebisu, feita com malte da região de Champanhe. Para o Noma, de René Redzepi, já foram criadas quatro cervejas: Novel e Pontus, por Mikkeler, e Oxalis e Júniper, por Evil Twin. Desde junho, a Carlsberg está desenvolvendo uma linha de cervejas com o Nordic Food Lab, laboratório de pesquisa do Noma. No Brasil, a Ici Brasserie, do chef Benny Novak, tem seu rótulo exclusivo, a ICI01, feita pela Colorado com malte de cevada, mandioca e lúpulos alsacianos.

SERVIÇO – SIM Brasserie

Al. Dom Pedro II, 330, Batel – Curitiba

Tel.: (41) 3044-4395

Horário de funcionamento: 11h30/até último cliente (fecha 2ª)

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