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Abrir, beber e amassar

Especial para o Estado

14 agosto 2013 | 23:21 por danielmarques

A cerveja em lata veio ao mundo sob a marca Gottfried Krueger’s Finest Beer, lançada em Nova Jersey em 1933, nos Estados Unidos, pouco tempo depois do fim da Lei Seca americana. Práticas, baratas e mais fáceis e seguras de transportar, as latas revolucionaram o mercado e não tardaram a ganhar o mundo industrial.

Apesar da praticidade, são inviáveis para alguns estilos de cerveja. A intensa carbonatação transforma as champenoises e as cervejas vivas (não filtradas nem pasteurizadas) em “explosivos de mão”. Já as de receita muito ácida, como as lambics, podem reagir com o metal e adquirir gosto indesejado. Não é o caso das lagers industrializadas brasileiras, embora haja quem defenda serem melhores em garrafa que em lata, alegando que as enlatadas ganham gosto de ferrugem vindo do alumínio. Ledo engano: as reações nessas cervejas são praticamente imperceptíveis ao nosso paladar.

Mesmo onipresente em churrascos e na praia, a latinha ainda não virou moda entre os cervejeiros artesanais brasileiros. Quando veio a São Paulo lançar sua Cacau IPA, Samuel Cavalcanti, da cervejaria curitibana Bodebrown, falou da vontade de se juntar a outros produtores da cidade para comprar uma envasadora de latas. O principal motivo é simples: a lata diminui o custo de produção e distribuição (transportar vidro é caro, arriscado e pesado).

Ficou com água na boca?

O projeto ainda não prosperou entre as cervejarias artesanais curitibanas – nem brasileiras de forma geral – e todas continuam acumulando mais vidro a cada nova rodada.

No copo, e longe das planilhas de custos, latas têm uma vantagem clara sobre o vidro: um dos defeitos mais comuns entre as cervejas mal armazenadas, o lightstruck, causado pela ação da luz nas bebidas, dificilmente ocorre nas latinhas.

Para a prova desta semana, fizemos uma seleção de cervejas artesanais enlatadas e importadas disponíveis no mercado brasileiro. E convidamos dois cervejeiros caseiros, Paulo Barros e Dino Santesso, para participar da degustação. Confira ao lado o que a dupla e o repórter acharam das cervejas.

Kronenbourg 1664

FOTOS: JF Diório/Estadão

Origem: França

Preço: R$ 12,90 (500 ml), na cervejastore.com.br

Teor: 5,5%

Wychwood Hobgoblin

Origem: Inglaterra

Preço: R$ 20 (500 ml), no Empório Alto dos Pinheiros (R. Vupabussu, 305, Pinheiros, 3032-5514)

Teor: 5,2%

Gordon Finest Chrome

Origem: Bélgica

Preço: R$ 11,90 (500 ml), no nonobier.com.br

Teor: 10,5%

Boddingtons Draught Bitter

Origem: Inglaterra

Preço: R$ 16 (500 ml), no Empório Alto dos Pinheiros (R. Vupabussu, 305, Pinheiros, 3032-5514)

Teor: 3,5%

O baixo teor alcoólico e a leveza deixam esta cerveja parecida com um refrigerante de cevada (chega a ser aguada). Refrescante e quase sem retrogosto. Aromas: floral, herbáceo e terroso leves. Sabores: terra também aparece no gosto. Amargor baixo, doçura e acidez quase imperceptíveis. Vai bem com: queijos cremosos, peixe e batata frita.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 15/8/2013

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