Paladar

Bebida

Bebida

Acordo retira pedido de salvaguarda ao vinho

Produtores de vinhos brasileiros vão suspender o pedido de salvaguardas aos vinhos nacionais. Um acordo entre produtores, varejistas e importadores está sendo finalizado neste fim de semana e será anunciado oficialmente na segunda-feira, 22. Segundo Ciro Lilla, da Mistral, maior importadora de vinhos no País, foi assinado em Brasília nesta sexta-feira, 19, um termo de princípios “para promover e aumentar o consumo de vinhos no Brasil”.

19 de outubro de 2012 | 20:18 por joseorenstein, Estadão Conteúdo

Saiba mais: Paladar antecipa os termos do acordo

Em março deste ano, o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) abriu investigação para ver se de fato as importações de vinhos no País estavam prejudicando os produtores nacionais. Em 2011, a Ibravin, a Uvibra (União Brasileira de Vitivinicultura), a Fecovinho (Federação das Cooperativas do Vinho) e o Sindivinho (Sindicato da Indústria do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul) haviam protocolado o pedido de salvaguarda argumentando que o aumento das importações de vinhos afetava sua produção. A salvaguarda é uma medida técnica que visa proteger um setor por meio de aumento do imposto de importação ou de restrição quantitativa.

A investigação causou rebuliço na gastronomia nacional, como mostrou o Paladar em abril. A demanda dos produtores nacionais despertou a ira dos consumidores de vinho diante da perspectiva de restrição aos importados. Alguns restaurantes, como o Dalva e Dito, de Alex Atala, retiraram os vinhos nacionais de suas cartas. Roberta Sudbrack, do Rio, e o Grupo Fasano, em São Paulo, também boicotaram as garrafas brasileiras em protesto contra a medida.

Essa repercussão, aliada a um pedido do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio  Fernando Pimentel, motivou os produtores a sentarem à mesa com varejistas e importadores para chegar a um acordo e suspender o pedido de salvaguarda há dois meses.  Desde então, já foram dez reuniões até que se chegasse a uma posição comum.

As quatro entidades que protocolaram o pedido de salvaguarda se comprometem agora a suspendê-lo junto ao MDIC, mas, se os termos do acordo não forem cumpridos, podem reabri-lo a qualquer momento. O parecer definitivo do MDIC sobre ainda não foi dado, mas era esperado para este mês. A iminência desse parecer foi também um dos fatores que motivou o acordo. A imposição de um preço mínimo para a entrada de vinhos estrangeiros, aventada como possível termo do acordo do setor, não deve ocorrer na prática.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ficou com água na boca?