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ANÁLISE: Temos que melhorar o serviço para melhorar o chope

A colunista do 'Paladar' escreve sobre a blitz do colarinho branco e a qualidade da bebida em São Paulo

16 fevereiro 2017 | 13:09 por Carolina Oda

Sinto dizer, mas eu achava que a gente bebia melhor. Se a ignorância é uma benção, beber chope continua sendo divino! Claro que há quem faça excelente trabalho, mas, depois dessa blitz, só constatei o que sempre soube: o serviço é o ponto mais negligenciado e ele pode acabar com qualquer excelente produto. E que fique claro que não estamos falando somente do ato de colocar uma cerveja dentro de um copo. Não. Serviço é muito mais que isso. Serviço é tudo o que está ao redor, concreto ou abstrato, da experiência de consumo. Fazer um bom serviço significa saber explicar um rótulo, significa não ter chopeiras e copos sujos, armazenamentos relaxados, venda de chope velho, oxidado e contaminado, com gosto de ferrugem e vinagre.

 

  Foto: Daniel Teixeira|Estadão

O movimento de educação cervejeira é novo e ainda é ínfima não só a quantidade de clientes, mas também a de equipes de pontos de venda que sabem detectar os problemas. As cervejarias não têm braço para acompanhar o dia a dia dos clientes. Não adianta crescer em oferta, não adianta lugares que sempre venderam o bom e velho chope Pilsen começarem a vender Weiss e IPA, se não houver capacitação. 

Desse jeito, acabamos nivelando por baixo até mesmo sem perceber, já que são poucos os que reclamam. Mas o mundo está mudando, a clientela tem se qualificado... É bom acompanhar!

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Contexto 

O polêmico colarinho diz mais sobre a saúde do chope do que você pode imaginar - e isso tem pouco a ver com seu tamanho. Ele dá pistas da qualidade da bebida e do serviço do bar em questão. Pensando nisso, o Paladar percorreu 15 bares paulistanos para avaliar a relação entre o colarinho e a qualidade da bebida que sai das torneiras. Foram três dias entre calderetas e tulipas, réguas e copos medidores. Houve muita discussão, alguns bons colarinhos, outros nem tanto. Os sommeliers Carolina Oda e René Aduan Jr. lideraram o grupo, integrado também por Luis Celso Jr., sommelier e autor do blog Bar do Celso, e pelas repórteres Renata Mesquita e Carla Peralva. 

O roteiro incluiu bares antigos, como o Bar Léo que há mais de 75 anos serve chope (de colarinho farto) nas calçadas do Centro, e botecos da nova geração com mais de 40 torneiras de cervejas ‘especiais’. Em terra sem lei, cada um inventa a regra que quer para o tamanho do colarinho: dos três dedos ao volume mínimo, tem de tudo pelos bares da cidade. O resultado que você confere abaixo.

Ficou com água na boca?