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Barolo novo na cidade

Com apenas 2 mil habitantes, a pequena cidade piemontesa Monforte concentra vários produtores de Barolo com o mesmo sobrenome: Conterno. São diferentes famílias e fazem vinhos diferentes. E está chegando aqui um top

13 maio 2015 | 17:03 por redacaopaladar

Por Isabelle Moreira Lima

A vinícola italiana Diego Conterno acaba de trazer, de Monforte d’Alba, no Piemonte, norte da Itália, seu Barolo top a São Paulo. Chama-se Barolo Ginestra 2010. Se não conhece o vinho, talvez o nome da vinícola lhe soe familiar. Mas, cuidado: são muitos os Conternos piemonteses.

FOTOS: Sérgio Castro/Estadão

Os mais famosos são Giacomo, um dos pioneiros de Monforte, que engarrafou seu primeiro Barolo na década de 1920, e Aldo, que estagiou nos EUA antes de se reassentar na Itália. Perto deles, a Diego Conterno, fundada na virada do milênio, é um bebê. Pôs sua primeira safra no mercado em 2007. E já em 2010 ganhou 18,25 pontos de 20 e o quarto lugar entre 74 vinhos na prova de Barolos da revista britânica Decanter.

O fato é que a vinícola nasceu com duas décadas de experiência. O Conterno do título, Diego, é um dos sócios fundadores da celebrada Conterno Fantino, “produtora de um excelente Barolo moderno”, segundo o crítico Hugh Johnson. Mas resolveu vender sua fatia no negócio e partir em carreira solo, como conta em entrevista ao Paladar seu filho e braço direito Stefano Conterno.

Aos 26, é ele quem viaja o mundo para divulgar os vinhos feitos com o pai. Fala do orgulho de produzir o Barolo, tinto encorpado que é a grande expressão da Nebbiolo, com alto teor alcoólico e muita personalidade, com o mesmo entusiasmo que usa ao mencionar o Barolo Boys, time de futebol piemontês “com vinho nas veias”.

Hoje, pai e filho tocam juntos a vinícola com quatro empregados. Produzem 45 mil garrafas por ano – com as uvas Nebbiolo, Dolcetto, Barbera e a branca Nascetta – vendidas na Europa, EUA, Brasil e Hong Kong.

Monforte tem dois mil habitantes e pelo menos a metade se chama Conterno, brinca o produtor. Talvez, no passado, tenham todos a mesma origem. Mas hoje não têm parentesco. “Mas, para o consumidor de fora da Itália é quase um selo de qualidade”.

Para se destacar no mar de Conternos, pai e filho escolheram alguns rótulos divertidos em que bonecos de palitinho desenhados pelo primo de Stefano na escola tomam vinho em um encontro romântico. Apesar do tom moderno, Stefano diz que o estilo de vinificação da casa é tradicional, com fermentação longa e barris grandes. Por via das dúvidas, seu vinho top, o Ginestra, evoca a tradição: seu rótulo estampa desenho usado pelo bisavô de Stefano em 1921.

O jovem fala do pai em tom de reverência, mas deixa claro que há conflito de gerações e que os dois discutem muito no dia a dia. E isso não é novidade. O pai dele, também discutia com o avô. Bom exemplo é o descarte de Barbera cultivada pela família para a produção do Barbera D’Alba Ferrione. Hoje, metade da uva é descartada, para garantir a qualidade. Mas foi difícil convencer o avô. “ Meu avô não entendia que a redução da produtividade no pé melhora a qualidade da uva e ficava doido com meu pai, achava um desperdício”. A mudança, feita nos anos 1980, teve tanto impacto na qualidade dos vinhos da região que ficou conhecida como a Revolução do Barolo.

DIEGO CONTERNO BAROLO GINESTRA 2010

Origem: Piemonte, Itália

Preço: R$ 332, na Casa Europa

Produzido com uvas Nebbiolo do vinhedo Ginestra, recém-comprado pela vinícola. A revista Decanter deu nota de 18,25 de um total de 20 pontos, classificando-o como “perfumado, com aromas quase românticos de anis, noz moscada, flores e frutas vermelhas. Na boca, potente, maduro e cheio de texturas frutadas. Incrivelmente longo e com um final picante”. Já pode ser bebido, mas estará em plena forma entre 2016 e 2040.

CONHEÇA OS CONTERNOS

Diego Conterno

É o nome da vinícola mais “jovem” entre os Conterno mais famosos. Foi fundada em 2000 e é dirigida por Diego, ex-sócio da Conterno Fantino. Tem vinícolas em Monforte e em Ginestra e produz vinhos como Barolo, Barbera D’Alba, Dolcetto D’Alba e Nebbiolo D’Alba.

Conterno Fantino

Fundada em 1982 nos moldes da Revolução do Barolo por Guido Fantino e os primos Claudio e Diego Conterno (que deixou o negócio). Faz Barolos modernos, com maceração rápida e barris pequenos. Conhecido pelo Barolo Sorì Ginestra e Vigna del Gris em Monforte d’Alba e pelo blend de Nebbiolo e Barbera Monprà.

Paolo Conterno

Casa focada em Nebbiolo e Barbera desde 1886, nasceu como Casa della Ginestra. Atualmente dirigida por Giorgio, quarta geração da família, segue padrões tradicionais de produção, com barris de carvalho francês de 35 hectolitros e produção anual de 80 mil garrafas.

Giacomo Conterno

Um dos primeiros produtores de Barolo, começou a engarrafar quando o vinho ainda era vendido em barris e consumido jovem, na década de 1920. Em 1934, fez seu primeiro vinho com potencial de guarda. É pai de Aldo e Giovanni, que assumiu a vinícola até sua morte em 2004. Hoje é o neto Roberto quem dirige a casa.

Aldo Conterno

Principal produtor de Monforte d’Alba, era considerado um tradicionalista. Com 23 anos, ajudou seus tios a montar uma vinícola na Califórnia, em Napa Valley. Cinco anos mais tarde, de volta à Itália, passou a ajudar o irmão Giovanni na direção da Giacomo Conterno. Mas a parceria durou pouco devido a desentendimentos sobre a produção do Barolo. Aldo saiu em 1969 para abrir sua própria vinícola. Morto em 2012, a casa é hoje dirigida por seus filhos. O mercado espera uma modernização de sua produção.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 14/5/2015

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