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Heloisa Lupinacci

Belga rebelde faz piada com tradição

A cervejaria belga tem uma lógica colaborativa com receitas escolhidas por meio de votação

18 novembro 2015 | 18:36 por Heloisa Lupinacci

“Não gostamos de ‘receitas medievais’ que nasceram depois de Justin Bieber”.

Foi assim, com o pé na porta e sem medo de polêmica que a Brussels Beer Project (BBP) se apresentou ao mundo.

Time. Morvan (no alto, à dir.) e a equipe da BBP. FOTOS: Divulgação

A cervejaria belga no centro de Bruxelas faz piada com a tradição cervejeira do país, conhecido pelas cervejas trapistas e lambics.

Ficou com água na boca?

Justin Bieber nasceu em 1994. “Muitas cervejas belgas nascidas nos anos 1990 fingem ter raízes séculos atrás”, diz Sébastien Morvan, sócio da cervejaria que “se orgulha de estar em 2015 e não em 1492”.

A BBP abriu as portas na rua Antoine Dansaert, 188, em setembro deste ano. E já em novembro quatro de seus rótulos – veja ao abaixo – desembarcaram aqui.

A lógica da cervejaria é colaborativa. Todas as receitas são escolhidas por meio de votações. A reforma do prédio e compra de equipamentos foi paga em parte por financiamento coletivo. Os equipamentos são de ponta, como se uma grande cervejaria tivesse sido encolhida. “Temos panelas pequenas porque queremos falhar melhor”, defende Morvan, que festeja a possibilidade de experimentar e errar.

A BBP abre de 14h a 22h para visitantes que podem beber e circular – há linhas sinalizando os limites. “Queremos aproximar as pessoas da cervejaria, é o contrário da coisa monástica”.

DARK SISTER

Origem: Bruxelas, Bélgica

Preço: R$ 35 (330 ml)

É difícil cravar um estilo para essa cerveja. Morvan diz que pode ser uma belgian black IPA, ou seja, uma india pale ale escura e com notas de fermento belga, ou, se preferir, “uma porter lupulada”. Criada como uma cerveja de Natal, ela tem a mesma receita da Delta, a receita mais popular da cervejaria, mas com a base de malte diferente, com maltes tostados. Por isso é escura, mais seca (parte dos açúcares são consumidos na tosta do malte) e tem uma certa acidez.

BABYLONE

Origem: Bruxelas, Bélgica

Preço: R$ 35 (330 ml)

Feita de pão, remete às origens históricas da cerveja. A ideia surgiu do fato de 20% do desperdício de alimento em Bruxelas ser pães jogados fora. A BBP criou uma rede para recolher esse pão velho, secá-lo e usá-lo na cerveja – 30% do mosto é pão. O mais interessante é que lá no meio do gole aparece uma nota de sal, que vem do pão. Ela tem bastante lúpulo, mas, de todos os rótulos da BBP, é a mais maltada.

GROSSE BERTHA

Origem: Sacramento,

Califórnia

Preço: R$ 35 (330 ml)

É uma “hefeweizen que se casou com o ‘seu tripel’”, define Morvan. Ela é fermentada com levedura alemã e depois refermenta com levedura belga. E é assim que ela acontece na boca, começa a conversa como uma weizen, com as características notas de cravo e banana, mas mais para o cravo. Mas vai ficando seca, e a secura é a ponte para o fim do gole, que evidencia os condimentos, notas características das tripels.

DELTA

Origem: Bruxelas, Bélgica

Preço: R$ 35 (330 ml)

É a mais vendida da cervejaria e a primeira a ser lançada. Trata-se de uma IPA fermentada com levedura de saison, o estilo de origem belga marcado pela secura. Leva três variedades de lúpulo: a norte-americana Citra, a alemã Smaragd e a inglesa Challenger. No nariz, a nota mais marcante é de maracujá. É bem refrescante, tem bastante gás e é bem fácil de beber, não aparenta os 6,5% que tem

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