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Suzana Barelli

Brasileiros tomam gosto pelos vinhos da Espanha

Antes tímida, participação dos rótulos espanhóis vem crescendo por aqui. Confira sugestões

12 de agosto de 2020 | 05:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Sempre estranhei a pequena participação dos vinhos – e também dos restaurantes – espanhóis no Brasil. Ao menos pela presença de tantos descendentes (os espanhóis formam o terceiro maior grupo de imigração europeia para cá, atrás dos italianos e dos portugueses), a quantidade de vinhos por aqui deveria ser maior.

E esta é uma das mudanças nestes tempos de quarentena. A participação dos rótulos espanhóis vem crescendo por aqui. Segundo dados da Ideal Consulting, a importação de vinhos do país aumentou 27,4% neste primeiro semestre na comparação com igual período de 2019, chegando a 4,7 milhões de garrafas de vinho.

Para quem aprecia brancos, os Albariños, da região de Rías Baixas, são boa pedida 

Para quem aprecia brancos, os Albariños, da região de Rías Baixas, são boa pedida  Foto: Tony Cenicola/NYT

Uma das razões está no crescimento da venda pelos e-commerce. Este canal on-line é um dos que mais cresceu na quarentena, e as duas principais empresas deste segmento têm rótulos espanhóis como carro-chefe. No caso da Wine.com é a Toro Loco, e na Evino, o Anciano. Os dois e-commerce foram hábeis em construir a imagem destas marcas no Brasil.

Os rótulos espanhóis mais vendidos estão em La Mancha. É a região dos chamados bons custo-benefícios. Tem um rótulo da Campos de Borja, o Borsao, que fez bastante sucesso depois de uma nota alta do crítico Robert Parker (R$ 84, na World Wine).

Mas a Espanha é mais do que isso. Para quem aprecia brancos, os Albariños, da região de Rías Baixas, e os verdejo, de Rueda, são bons nortes. Nos tintos, Priorato e Ribera del Duero são encantadores e, não raro, surpreendentes, em sua potência e elegância. Se quiser comprovar isso, invista em um dos rótulos de René Barbier no Priorato (a Mistral traz os seus vinhos).

O Jerez, aqui mais conhecido pela marca tio Pepe, ainda é pouco vendido no Brasil. Mas vale uma chance. Se quiser aprender mais, sugiro acompanhar o Instagram @aloucadojerez. A sommelière Gabriele Frizon traz boas dicas sobre esta bebida do sul da Espanha. Eu sempre indico o La Guita Manzanilla (R$ 109, na Zahil) para quem quer entrar neste mundo.

E tem Rioja, a região mais tradicional da Espanha e que fica em segundo lugar no ranking dos rótulos espanhóis mais comprados pelos brasileiros. Aqui cito um vinho que o único empecilho é o preço: a Viña Tondonia (R$ 684, o Reserva Tinto 2006, na Vinci).

Mas é uma história que precisa ser contada, que eu rememorei em um depoimento online recente promovido pela Pandora Experiência de Vinhos.

No coração da Rioja, a família López de Heredia resistiu às pressões para se modernizar (nos anos 1980, 1990, a tendência era trocar tanques de madeira por inox, apostar em barricas pequenas de carvalho novo e outras técnicas que mudaram o estilo dos vinhos).

Atualmente, a Tondonia é uma das vinícolas que mantém a tradição (e é valorizada por isso). Com uvas colhidas manualmente em caixas de madeira, vinificação com leveduras indígenas, longo estágio em barricas de carvalho, entre outras técnicas utilizadas no passado, e várias delas recuperadas em tempos mais recentes, os herdeiros da Viña Tondonia mostram que a qualidade e complexidade não são um modismo, mas uma história construída, e valorizada, por gerações. 

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