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Café da serra capixada para o mundo

De Pedra Azul, Espírito Santo

02 abril 2014 | 22:54 por juniormilerio

No pé da Pedra Azul, montanha que dá nome à vila em Domingos Martins, na região serrana do Espírito Santo, um pequeno cafezal, dividido em cinco talhões, vive à sombra de ameixeiras, goiabeiras e palmeiras.

É ali, na fazenda Fjordland, que são cultivados os grãos arábica que dão origem ao Heimen Coffee, marca que está ganhando prestígio pelo mundo. Protegidas por árvores nativas, crescem três variedades de café: catucaí-açu, catuaí amarelo e Iapar 59. Os grãos levam mais tempo para amadurecer, o que resulta numa bebida mais doce e frutada, com cor de caramelo. É um café especial.

No pé do monte. Entre as árvores, um cafezal se esconde. FOTOS: Rusty Marcellini/Divulgação

Da mesma região do café do jacu – aquele dos grãos ingeridos e expelidos pela ave –, o Heimen Coffee, por ora, está disponível apenas na cafeteria local. Mas já recebeu aval do barista norueguês Tim Wendelboe, referência internacional. “Enviamos uma amostra para ele e, informalmente, recebemos 94 pontos”, diz o produtor Vagner Uliana.

Uliana participa de todo o processo, do cultivo à prova, finalizando com os métodos de extração da bebida – sempre coada. Por ele passam até sete sacas de café por ano. Produção pequena, mas “no limite para garantir a qualidade”, diz.

Coado. O Heimen Coffee tem frescor e cor de caramelo

Na fazenda sob comando do produtor e também barista, a ideia de cultivar café surgiu quando se extinguiram as opções para o descarte do esterco dos cavalos da raça norueguesa que, além de emprestarem seu nome à propriedade, hoje adubam os mais de 15 mil pés do grão orgânico. Depois de colhidos e secos, os grãos são armazenados em barricas e vedados. Uliana justifica as paredes de tronco de pinheiro da pequena tulha: “Quanto menos contato com oxigênio, melhor. Dessa forma, o grão não oxida e mantém suas qualidades por mais tempo”.

Seguindo a mesma teoria, a venda do café é feita apenas em embalagens de 250g, em grão ou moído, “para ser consumido em tempo de degustar o que a bebida tem de melhor”, diz Uliana. A produção não permite encomendas, mas saborear a bebida, depois do grão moído na hora e extraído com vista para a montanha azulada, com pico a quase 2 mil metros, permite confirmar os motivos da pontuação do especialista norueguês. Cabem 94 pontos numa xícara.

SERVIÇO – Heimen Coffee 

Endereço: Rod. Angelo Girardi (Rota do Lagarto), km 2,2, Pedra Azul, Domingos Martins, Espírito Santo

Tel.: (27) 3248-0076

* O repórter do ‘Paladar’ viajou a convite da Expedição Fartura Brasil

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 3/4/2014

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