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Celso La Pastina deixa herança em rótulos de vinho na World Wine

Catálogo da importadora exibe rótulos que ele garimpou, alguns muito antes de virarem tendência por aqui, como os naturais, orgânicos e biodinâmicos

26 de agosto de 2020 | 03:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Se hoje o diferencial é a venda online, no final da década de 1990, começo dos anos 2000, o caminho era ter uma importadora de vinhos. O mercado brasileiro havia acabado de ser aberto para os importados e vários bons produtores tinham interesse em vender para os brasileiros. O câmbio, ainda, favorecia a importação. Foi nesse cenário que nasceu a World Wine, hoje uma das grandes importadoras de vinho no Brasil.

A empresa foi fundada por Celso La Pastina, empresário que faleceu na semana passada, vítima do novo coronavírus. Uma homenagem ao Celso, a primeira (e desejo que a única) personalidade do mundo do vinho a morrer em decorrência desse vírus, é contar algumas histórias dos rótulos que ele garimpou, tanto na jovem World Wine como na tradicional La Pastina, que foi fundada por seu pai na década de 1940.

Celso La Pastina, empresário que faleceu na semana passada, vítima do coronavírus.

Celso La Pastina, empresário que faleceu na semana passada, vítima do coronavírus. Foto: JF Diório/AE

Começo com o Bicicleta, linha de vinhos chilenos da Cono Sur, que resume aquela definição de bom e barato. Brancos e tintos básicos, para beber sem compromisso. Eu gostava muito do Bicicleta Riesling, que não está no catálogo, mas há vários varietais, do Chardonnay ao Syrah (R$ 59, na La Pastina). A linha Adobe, da também chilena Emiliana, é a porta de entrada para os vinhos orgânicos e tem consultoria do expert Álvaro Espinoza. Comece pelo Cabernet Sauvignon, com boa tipicidade (R$ 79, na La Pastina).

Passeando pelo portfólio da World Wine, a uruguaia Garzón é a marca mais vendida entre todas as vinícolas do catálogo. Vale começar pelo rosé, elaborado com a pinot noir (R$ 118), sempre fresco e frutado. Um dos destaques dessa vinícola são os brancos elaborados com a albariño, em diversos estilos e faixas de preço, do mais simples ao Single Vineyard (R$ 337). O Pais Viejo, da chilena Bouchon, mostra o potencial de uma variedade menos nobre (a uva país) em vinhedos antigos do Maule (R$ 94,40). Vale também os diversos malbecs da argentina Alto Las Hormigas, que mostram o rico estudo de terroir de seus enólogos (R$ 422 o Malbec Appellation Paraje Altamira). Mas se quiser conhecer o malbec mais simples da vinícola, o Clássico sai por R$ 129.

Tonéis da Bodega Garzón

Tonéis da Bodega Garzón Foto: Bodega Garzón

Da Europa, a relação começa com a Herdade do Rocim, do casal Catarina Vieira e Pedro Ribeiro. Uma dica é provar o tinto elaborado em ânforas (R$ 322), uma das tendências dos vinhos do Alentejo. Ou, se quiser se presentear com um tinto que envelhece em talhas de barro, escolha o Clay Aged (R$ 600).

E há três clássicos, que eu destaco do catálogo com mais de 2000 vinhos da World Wine. Do Piemonte, o Bruno Rocca Barbaresco Rabajà, um belo exemplo da elegância da uva nebbiolo (R$ 622).

Os outros dois são vinhos franceses e estão no portfólio da importadora desde o ano 2001, quando Celso foi pioneiro na aposta de trazer rótulos naturais, orgânicos e biodinâmicos. No início, ele trazia sem fazer alarde para a tendência de elaborar vinhos sem agrotóxicos e demais produtos sintéticos. O primeiro são os rótulos de Philippe Pacalet, que elabora em uma adega cavada na rocha na Borgonha (custa a partir de R$ 1.142, o Pommard). O segundo é o Château Le Puy, um símbolo dos vinhedos biodinâmicos na chuvosa Bordeaux, elaborado por Jean Pierre Amoreau. A cuvée Emilien é vendida por R$ 569.

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