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Cerveja e rock'n'roll

Por Cibele Freire

30 junho 2012 | 00:28 por redacaopaladar

Esqueça tudo o que você sabe sobre degustações. “A Cerveja Brasileira”, painel do 6º Paladar – Cozinha do Brasil, foi um grande happy-hour embalado pela bebida e por muito rock’n’roll. O jornalista especializado Bob Fonseca apresentou cinco cervejas e um chopp, todos criados no Brasil em homenagem a músicas ou bandas. Além de servirem como inspiração, elas também contribuíram com a trilha sonora da noite: um integrante de cada conjunto escolheu três composições de sua autoria, ouvidas durante a prova.

O primeiro gole foi da Hellbier, produzida pela Mistura Clássica em homenagem ao grupo Blues Etílicos. Com malte adocicado e lúpulo cítrico floral, deixou secura na língua – daquela boa, que pede o próximo gole.

A Sepultura Weizen, bebida à base de trigo produzida pela Bamberg, foi o segundo exemplar da maratona etílica. Produzida em comemoração aos 25 anos da banda de metal brasileira, tinha sabor predominante de cravo e banana, típicos da cerveja com levedura da escola do sul da Alemanha.

Em seguida, uma mudança no estilo levou ao chopp Labareda, da Cervejaria Coruja. A  homenagem a Wander Wildner, lançada somente três dias antes em Porto Alegre, tem malte de Viena com acentuado sabor defumado. As inusitadas notas de pimenta dedo de moça desidratada, que ganharam potência depois de algum tempo no copo, foram uma das grandes surpresas da demonstração.

De volta à cerveja, todos que já ouviram “Camila, Camila”, do Nenhum de Nós, e experimentaram a fermentada de mesmo nome entenderam a homenagem. A história da garota agredida pelo namorado foi traduzida na mistura de notas de malte, biscoito, mel e lúpulo herbal com o amargor intenso e final seco da Bohemian Pilsner feita pela Bamberg.

Para encerrar a noite, dois exemplares de Ale. A Velhas Virgens Indie Rockin’ Beer, da Cervejaria Invicta, lançadas nos 25 anos de estrada da banda, era uma India Pale Ale de lúpulo herbal pronunciado tem um toque cítrico e notas de malte, caramelo e biscoito. Apesar do final mais seco e do amargor 45, tinha sabor equilibrado.

Já a India Black Ale Hop to Thrill – trocadilho com a música Shoot to Thrill e a palavra lúpulo em inglês - representava o som pesado da banda AC/DC. Criada por Rubens Deeke, um cervejeiro caseiro da Teckelbier, se mostrou encorpada e dominada pela presença do lúpulo cítrico, mas com notas de malte torrado e chocolate.

Ao fim da degustação, a última do dia, o clima era de bate-papo na mesa do bar e ninguém tinha pressa para ir embora antes de trocar impressões e, claro, de esvaziar os copos.

Ficou com água na boca?