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Heloisa Lupinacci

Cervejas americanas que todos procuram por aqui

A lista das queridinhas pelos brasileiros

13 agosto 2014 | 21:29 por Heloisa Lupinacci

“Tem Blue Moon?”, pergunta o cliente. “Não, ela não vem para o Brasil”, responde o vendedor. O diálogo era frequente nas lojas de cerveja. Agora tem e custa em torno de R$ 20 (355 ml).

Muito pop nos EUA, essa cerveja de estilo belga, clara, que leva trigo e aveia e é temperada com casca de laranja e semente de coentro, é motivo de discórdia e símbolo do crescimento da cerveja artesanal.

É que ela tem toda a pinta de indie – rótulo bacana, nascida no Colorado. Mas é de uma grande cervejaria, a MillerCoors, que, por sua vez, é uma joint venture entre Molson Coors e SAB Miller (a segunda maior do mundo, atrás só da AB-Inbev).

FOTO: Divulgação

Ficou com água na boca?

O que isso quer dizer? Sobre o líquido no copo, nada – só para lembrar, a Hoegaarden, que é uma bela witbier, é da AB-Inbev. Sobre o cenário, diz ao menos três coisas.

1. Simboliza a reação de grandes cervejarias ao crescimento das artesanais – a Blue Moon é da Tenth and Blake, “divisão de cervejas artesanais e importadas” da MillerCoors, dona também da Pilsner Urquell.

2. Ao mesmo tempo, essa movimentação tem mão dupla: ela forma público. A Blue Moon apresentou a witbier ao público comum, antes conformado às standart ligh lagers, e popularizou o estilo nos EUA.

3. Demonstra que megacervejarias compartilham entre si o hábito de omitir informação de seus rótulos – a garrafa de Blue Moon não traz menção de pertencer à megaempresa.

De toda forma, a Blue Moon está aí e o diálogo do começo do texto vai mudar. Perguntei a três donos de lojas de cerveja – Paulo Almeida, do Empório Alto de Pinheiros. Ronaldo Rossi, da Cervejoteca, e Pablo Cesar, da Capitão Barley – quais são as americanas mais procuradas que eles gostariam de vender.

Serra Nevada

Fundada em 1980 por Ken Grossman e Paul Camusi, a Sierra Nevada é pioneira do movimento cervejeiro norte-americano e uma das cervejarias mais influentes desse cenário. É a segunda maior cervejaria “craft” dos EUA, atrás só da Boston Brewery (que faz a Samuel Adams). A caprichada carga de lúpulo é assinatura da Sierra Nevada desde a origem. O rótulo mais popular é a Sierra Nevada Pale Ale, segunda artesanal mais vendida no país. A cervejaria é a mais procurada aqui, segundo os três donos de loja.

Stone

Ela é a décima maior cervejaria craft dos Estados Unidos e vai abrir uma fábrica em Berlim. É simbolizada por Greg Koch, outro mito entre cervejeiros (ele esteve no Brasil em 2013 e fez aqui, com a Bodebrown, a Cacau IPA). O rótulo mais famigerado da Stone é a Arrogant Bastard Ale, uma strong ale descrita assim pela cervejaria: “Você provavelmente não vai gostar. É bem pouco provável que tenha a sofisticação necessária para ser capaz de apreciar uma ale com essa qualidade e essa profundidade”.

Dogfish Head

Sam Calagione, fundador da Dogfish Head, é ídolo absoluto no mundo cervejeiro. Inovador, destemido e midiático (marcou época com o seriado Brew Masters, que passou no Discovery Channel em 2010), é símbolo da criatividade cervejeira que rege os melhores rótulos norte-americanos. Sua cervejaria é de 1995, mesma safra que a Stone e muitas outras. Quem procura os rótulos da Dogfish são os bebedores mais cabeça, mais dispostos a investigar extremos, caso da 90 Minute IPA, que leva lúpulos continuamente.

Ficou com água na boca?