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Cervejas fundamentais oferecem o alento de entregar algo conhecido

Para driblar as dificuldades da quarentena, colunista sugere se desfazer dos excessos e apostar nos clássicos cervejeiros

14 de agosto de 2020 | 03:00 por Heloisa Lupinacci, O Estado de S.Paulo

Para driblar as dificuldades da quarentena, um dos recursos é focar no essencial, se reconectar com o básico. Para dar conta de tanta coisa, é preciso se desfazer de excessos. Na hora de escolher o que beber, isso pode se traduzir em uma vontade de cervejas fundamentais. Revisitar os clássicos cervejeiros é sempre um alento.

Não me parece à toa que bem no meio dessa confusão, a Dádiva, cervejaria que lança novidades com frequência, tenha colocado no mercado uma linha de estilos clássicos – os dois primeiros rótulos são Irish Red Ale e Berliner Weisse.

Escolhi quatro cervejas fundamentais, para quando as reviravoltas cansarem, o copo de cerveja entregar algo conhecido, mapeado e excelente.

Jever Pilsener

Um gole de uma boa pilsener tem o mesmo efeito de sentar na sua cadeira favorita, com um solzinho batendo de leve, depois de um dia agitado. É a própria ideia de refúgio, um encontro tranquilo, fácil, agradável. Essa pilsener alemã acolhe com uma cor amarelinha linda, um gole seco, limpo, aromático, com notas delicadas e em equilíbrio perfeito. Grãos de mãos dadas com notas herbais do lúpulo, que podem lembrar cidreira. Uma delícia, não muito cara e fácil de achar. (R$ 14,90; 500 ml, no clubedomalte.com.br)

Jever Pilsener.

Jever Pilsener. Foto: Friesisches Brauhaus zu Jever GmbH & Co KG

London Pride

Você encontra no supermercado, na icônica garrafa que sempre me faz pensar num inglês de terno marrom e gravata vermelha. Mas você também pode comprar um growler de 1 litro no Empório Alto dos Pinheiros (R$ 52, o litro) e fingir que está num pub, servir no clássico pint inglês e se deliciar com essa aula de equilíbrio dulçor/amargor. As notas de lúpulo aparecem terrosas, sóbrias. Um refresco para quem está cansado da exuberância dos frutados das IPAs atuais. (R$ 22; 330 ml, no St. Marché)

London Pride.

London Pride. Foto: Griffin Brewery

La Trappe Blond

As blonde ales belgas são uma festa. Se os clássicos tendem a ser equilibrados, aqui o equilíbrio é entre exuberância e simplicidade. Ela é fácil de beber, mas é complexa. Solar, brincalhona, é uma cerveja que associo a um sorrisão. No nariz e no começo do gole sobressai o dulçor, aí vem aquele desfile de especiarias e notas frutadas, com algo cítrico em segundo plano. Até que você perde a conta de todas as notas aromáticas que dá para perceber nessa cerveja e fica só olhando como ela é dourada e forma uma linda espuma branca e densa. (R$ 31,40; 330 ml, na Casa Santa Luzia)

La Trappe Blonde.

La Trappe Blonde. Foto: De Koningshoeven

Ayinger Celebrator

Se uma blonde belga é uma festa, uma doppelbock alemã é uma celebração, no sentido mais ritualístico do termo. Essa é a cerveja número um da minha lista de preferência para comemorar conclusões. Não para fazer brindes (nesse caso prefiro uma pilsener, ou se for algo muito especial, uma gueuze). Aqui quem brilha é o malte. No nariz, ela remete a caramelo, geleias e frutas nada óbvias, com o figo e ameixa. Na boca, vem também café, um leve defumado e um dulçorzinho de nada, bem de leve. A cor – vermelho-escuro – e o colarinho – marrom – são lindos. (R$ 26; 330 ml no eapsp.com.br)

Ayinger Celebrator.

Ayinger Celebrator. Foto: Privatbrauerei Franz Inselkammer/Brauerei Aying

 

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