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Chablis, um vinho branco que ganha mercado no Brasil

No ano passado, as importações do vinho francês de aromas cítricos e minerais para o Brasil cresceram 66%, em volume, e dobraram em valor

05 de fevereiro de 2022 | 03:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

No norte da Borgonha, está a região de Chablis, terra da uva branca chardonnay, dos solos de marga kimmeridgiana – não se assuste com este termo que significa um solo com argila e muito calcário, resultado das conchas e demais restos marinhos que lá viveram milhões de anos atrás – e de clima frio. O Chablis, agora o vinho, porque tanto a região como a bebida têm o mesmo nome, é um branco que vem conquistando os brasileiros, principalmente desde o início da pandemia.

No ano passado, até novembro, suas importações para o Brasil cresceram 66%, em volume, e dobraram em valor (aumentaram 99%) em relação a igual período de 2020, pelos dados da Ideal Consulting.  Em 2021, foram importados 17,3 mil caixas de 9 litros, o que equivale a mais de 207 mil garrafas, com uma receita de US$ 1,7 milhão.

O Chablis tem aromas cítricos e minerais e frescor característico

O Chablis tem aromas cítricos e minerais e frescor característico Foto: Fernando Sciarra/Estadão

É o interesse pelo mercado brasileiro que explica a viagem de Bruno Peppin, diretor de exportação da francesa Louis Latour, para o Brasil na semana passada. “Nossas vendas mundiais cresceram mais de 15%. Há muito interesse pelos vinhos da Borgonha, e Chablis representa 20% da produção da região”, afirma Peppin.

A AOC Chablis, sigla para Apelação de Origem Controlada, tem cerca de 3 mil hectares de vinhas e enfrenta nas geadas fora de época, como a que aconteceu em abril do ano passado, o seu maior problema.

 

Com mais de 200 anos de história na Borgonha e dona da primeira vinícola planejada construída na França, isso em 1834, a familiar Domaine Louis Latour é a marca mais vendida de Chablis no Brasil. Até recentemente, a domaine exportava para cá apenas o seu Chablis entrada de linha, que é vendido por R$ 412,50, a safra de 2020, importado pela Inovini.

Mas a procura crescente por este vinho que tem os aromas cítricos e minerais e o frescor característico, pela sua alta acidez, como destaques, levou a importadora a trazer também o Chablis Premier Cru (R$ 649, a safra de 2020) para o Brasil e testar a sua aceitação no mercado. No portfolio da Louis Latour na França, há ainda mais cinco chablis, como o Montmains ou o Fourchaume, os dois de vinhedos classificados como Premier Cru, até o premium Les Clos, que vem de um vinhedo Grand Cru.

Em um primeiro momento, a maior procura por vinhos brancos causa estranheza por aqui, já que no Brasil, mesmo com o clima tropical, os tintos representam mais de 70% da escolha do brasileiro. Em seguida, a explicação para o crescimento de uma categoria de vinhos mais caros está na peculiaridade da pandemia: aqueles consumidores que gostam de viajar e adquiriam suas garrafas em viagens internacionais agora focam suas compras no mercado local.

E procuram harmonizá-las com ostras (que é a clássica combinação do Chablis) e também com frutos do mar. Camarões e lagostas são perfeitos com este chardonnay peculiar, e para quem gosta daqueles chablis mais amadeirados, com passagem em barricas de carvalho, vieiras e peixes como salmão, preparados com molhos de manteiga, são grandes casamentos.

No Brasil, o Chablis representa 23% do total de vinhos importados da Borgonha. E a Borgonha, por sua vez, representa 27% dos rótulos franceses que chegam ao Brasil, em valores, nos dados da Ideal. No ranking, a segunda marca mais comercializada é a Domaine Denis Race, importada pela Nova Fazendinha. Em terceiro, está a Louis Jadot, trazida pela Interfood; depois a La Chablisienne, da Claret, e, em quinto, a Domaine Seguinot Bordet, da World Wine.

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