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Suzana Barelli

Cinco vinhos com a cabernet franc para presentear no Dia dos Pais

Esta uva dá origem a um vinho um pouco mais claro e não tão encorpado - e é ótima opção para variar da malbec

03 de agosto de 2021 | 03:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

Desde que o nome da uva passou a ganhar destaque nos rótulos – a tal valorização do vinho varietal, aquele elaborado com uma única variedade de uva –, a cabernet sauvignon conquistou também a preferência dos consumidores. É a segunda uva mais cultivada no mundo, com 341 mil hectares, algo como 4% do total de vinhedos mundiais, segundo dados da OIV, a organização internacional da uva e do vinho, de 2017. Fica atrás apenas da uva kyoho, popular na Ásia.

Originária de Bordeaux, a cabernet sauvignon nasceu do cruzamento espontâneo entre a tinta cabernet franc e a branca sauvignon blanc. Na licença poética desta semana de Dia dos Pais, podemos afirmar que a cabernet franc é o pai da cabernet sauvignon. É um pai que deu muita independência ao filho – é só ver como a variedade ganhou o mundo. Mas que, com o filho, digamos, adulto, quer encontrar o seu espaço de destaque e também brilhar nos grandes rótulos.

A cabernet franc é o "pai" da cabernet sauvignon.

A cabernet franc é o "pai" da cabernet sauvignon. Foto: Regis Duvignau/Reuters

Até recentemente, imaginava-se que a cabernet franc era originária da região do Loire – onde dá origem a vinhos rosés e tintos. Estudos mais recentes indicam que ela deve ser, na verdade, originária do País Basco, na Espanha, fronteira com a França. A cabernet franc é também uma das mais antigas variedades de Bordeaux. Junto com a cabernet sauvingon, a merlot, a petit verdot, a malbec e a carmenère, ela forma o chamado corte bordalês desde a época em que os nomes das variedades não eram estampados nos rótulos e se apreciava um vinho pela sua origem e não pela sua uva.

Comparada com seu filho próspero, ela amadurece mais cedo e dá origem a um vinho um pouco mais claro e não tão encorpado. No Brasil, a cabernet franc chegou a fazer sucesso a partir da década de 1970, exatamente por amadurecer antes do período de chuvas de verão. Mas, nas décadas seguintes, perdeu espaço para a cabernet sauvignon e a merlot. Uma pena!

Nesta “independência” paterna, a cabernet franc vem conquistando espaço também como vinho varietal. Aqui perto, vem se destacando muito nos vinhedos da Argentina e é uma ótima opção para quem quer variar da malbec. Como a lista de bons rótulos com a cabernet franc é grande e crescente, cito aqui cinco destaques para quem quiser aproveitar a licença poética e presenciar neste domingo com o pai da cabernet sauvignon.

La Part du Colibri Cabernet Franc (R$ 139, na De La Croix)

Típico representante da cabernet franc no Loire, para o pai que gosta de reconhecer os aromas típicos de cada variedade.

Gran Ombú Cabernet Franc (R$ 435, na Vivavinho.com.br)

Rótulo de destaque da jovem vinícola Bracco Bosca, que ousou brilhar no Uruguai com uma variedade que não é a tannat. É para o pai que gosta de ser surpreendido.

Las Veletas Cuartel 5 Cabernet Franc (R$ 165, na Edega)

Vinho bem elaborado, que traz as notas florais e herbais desta uva, para pais que adoram vinhos chilenos.

Vivente Cabernet Franc (R$ 150, na Vivente.bio)

Fresco e gostoso tinto natural elaborado no sul do Brasil, para o pai que gosta de sair do lugar comum e ousar.

Gran Enemigo Cabernet Franc (R$ 798 na Mistral)

Um dos grandes cabernet franc argentinos, elaborado por Alejando Vigil, mostra o potencial (e as altas pontuações) que a variedade pode atingir. É para pais que gostam de vinhos premiados.

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