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Colheita de uvas ao luar não é romance, é técnica

Em regiões de clima quente, técnica economiza energia, já que leva-se menos tempo para resfriar cepas antes da fermentação; o resultado é frescor e acidez

20 julho 2016 | 17:24 por Isabelle Moreira Lima

Há vinhos que têm como grande atributo serem produzidos com uvas colhidas à noite. A ideia é alcançar o máximo de frescor e potencializar os aromas, uma vez que os níveis de açúcar das uvas estão mais equilibrados à noite, com as temperaturas mais amenas.

 

  Foto: Kai Pfaffenbach|Reuters

A prática é adotada em regiões de clima quente e economiza energia: com as temperaturas amenas, leva-se menos tempo para resfriar as cepas para iniciar a fermentação. Nestes locais, se fossem colhidas de dia, as uvas poderiam chegar a 43ºC e seria necessário resfriá-las até 12ºC. 

A Miolo lança neste mês um Sauvignon Blanc de colheita noturna da Campanha Gaúcha. É o primeiro feito no Brasil com colheita mecanizada à noite (a Larentis, do Vale dos Vinhedos, colhe à noite, mas manualmente, desde 2013). O enólogo português Miguel Almeida diz que escondeu os cachos verdes da luz solar durante a maturação e controlou a temperatura com a colheita à noite, para preservar os aromas.

Muito comum na Austrália, a prática tem entre os adeptos nos EUA Paul Hobbs, que faz o Chardonnay Russian River Valley 2009 (R$ 272,54 na Mistral); em Portugal, Luis Duarte fez Herdade dos Grous Moon Harvested (R$ 290 na Épice).

Confira três vinhos com uvas colheitas à noite:

Miolo Reserva Sauvignon Blanc Colheita Noturna

 

  Foto: Divulgação

Origem: Campanha Gaúcha, Brasil

Preço: R$ 39,90 na promoção na loja online da vinícola (R$ 47,29 o preço cheio)

Vinho claríssimo e com reflexos verdes - mais uma consequência da colheita noturna -, traz um frescor ácido no nariz e na boca. Absolutamente cítrico e forte no maracujá, funciona como uma cápsula de teletransporte para o verão. Vai bem com frutos do mar na plancha.

Hardy’s Nottage Hill Shiraz 2014

 

  Foto: Divulgação

Origem: South Australia, Austrália

Preço: R$ 104 na Inovini

Produzido por uma das maiores casas australianas que têm a prática da colheita noturna como uma regra, este Shiraz fermentado em cubas de aço inox e que estagia apenas parte em carvalho tem taninos macios e bom corpo. É ideal para ser consumido ainda jovem com churrasco ou cordeiro.

Protos Vendimia Seleccionada 2013

 

  Foto: Divulgação

Origem: Ribera del Duero, Espanha

Preço: R$ 169 na Wine

Feito pela vinícola histórica de Ribera del Duero, este 100% Tempranillo passa dez meses em barricas de carvalhos francês e americano. Aqui, os aromas de fruta negra madura e especiarias são marcantes.  Encorpado e com acidez marcante, vai bem com um puchero ou com massas com ragú.

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