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Conheça o primeiro 'vinho' japonês comercializado no Brasil

Feito a partir da fermentação de uvas viníferas e flores de cerejeira, o Sakura L’Orient foi registrado como “coquetel composto”, e não como vinho. Ainda que por razões legais, o nome talvez defina melhor sua verdadeira vocação

18 abril 2018 | 21:12 por Guilherme Velloso

Especial para o Estado

Quando se fala em vinho japonês, logo se pensa em saquê, que é um fermentado de arroz. A situação pode começar a mudar com a chegada ao Brasil de um lote do rosé Sakura L’Orient, que em tese poderia ser considerado o primeiro vinho japonês comercializado em (pequena) escala no País. Mas só em tese. 

Embora produzida a partir da fermentação de duas das uvas viníferas mais cultivadas no Japão (a branca Koshu e a tinta Moscato Bailey A), a bebida não pode ostentar o nome vinho no rótulo por duas razões: a presença de duas flores de cerejeira (sakura, em japonês) em cada bela garrafa de 500 ml, e o fato de não alcançar o teor alcoólico mínimo de 8,6% definido pela lei brasileirapara vinhos.

Além de ser a flor-símbolo do país, a sakura (fala-se sakurá) é carregada de simbolismos. Um deles promete uma inesquecível noite de amor a quem recebê-la na taça e, obviamente, consumi-la quando o vinho for servido. 

No Brasil, o Sakura L’Orient foi registrado como “coquetel composto”, e não como vinho. Ainda que por razões legais, o nome talvez defina melhor sua verdadeira vocação. De um rosé pálido e com apenas 6% de álcool, o Sakura L’Orient é uma bebida leve, agradável e adocicada, com delicados aromas frutados e florais.

Sakura

Sakura Foto: Reprodução

Mas não se pense que o Japão produz apenas esse estilo mais “exótico” de vinho. Estima-se que se faça algum tipo de vinho no país há pelo menos mil anos, ainda que as primeiras vinícolas comerciais tenham surgido por volta de 1860. Hoje, são mais de 200 e produz-se vinho em boa parte do território japonês. A principal região produtora é Yamanashi, que se beneficia dos solos vulcânicos em torno do monte Fuji. É lá que são cultivadas as uvas utilizadas no Sakura L’Orient. Koshu e Moscato Bailey A são as duas variedades autóctones mais importantes do país. A primeira origina vinhos delicados, mas com boa acidez, que podem lembrar um Sauvignon Blanc. A segunda é uma variedade híbrida, base de tintos leves. O Japão também cultiva muitas castas ocidentais. São exemplos a híbrida alemã Kerner (branca) e tintas como Cabernet Franc, Merlot, Syrah, Pinot Noir e até a austríaca Zweigelt. E, além de brancos, tintos e rosés, produz espumantes, principalmente à base da Koshu.

Além do preço (cada garrafa do Sakura L’Orient será vendida entre R$ 400 e R$ 500, segundo o importador), outro obstáculo dificulta a eventual difusão do vinho japonês no mercado brasileiro. Com o crescimento do consumo interno, são poucas as vinícolas japonesas que exportam regularmente seus produtos. Celso Ishiy, da Tradbras (tel. 3229-6455), responsável pela importação do Sakura L’Orient, informa que foi preciso esperar quase três anos para importar as pouco mais de 500 garrafas que chegaram ao Brasil. Mesmo assim, afirma que a intenção da empresa é trazer brancos e tintos do país do sol nascente. Sem a presença da cobiçada flor de cerejeira em seu conteúdo, poderão ser rotulados, de fato e de direito, como vinho.

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