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Heloisa Lupinacci

'Crescer não é vergonha, mas é preciso optar'

Tony Forder cobre cerveja nos EUA, esteve no Brasil para o Mondial de la Bière, e fala sobre tamanho de cervejarias

27 novembro 2013 | 22:13 por Heloisa Lupinacci

Por Thaise Constancio

Especial para o Estado

Tony Forder, editor do The Ale Street News, cobre cerveja nos EUA, esteve no Brasil para o Mondial de la  Bière, e fala sobre tamanho de cervejarias.

FOTO: Daniel Cruz/Divulgação

A definição dos tamanhos de cervejaria pequena nos EUA mudou para acomodar na categoria ‘pequena’ a Samuel Adams.

A Samuel Adams excedeu a marca de 2,3 milhões de hectolitros. Isso foi decisivo na mudança do marco que define cervejarias pequenas e grandes.

Você percebe algum tipo de vergonha em crescer? Ou de ser considerado industrial?

Não acho que exista vergonha em crescer, mas muitas vezes é preciso escolher entre qualidade e quantidade. Muitas cervejarias usam equipamentos industriais, é verdade. Mas quando usamos o termo artesanal, estamos nos referindo à combinação de ingredientes e não ao tipo de equipamento usado.

Você citaria algum exemplo de boa cerveja feita por uma cervejaria grande nas definições norte-americanas de grande?

A Blue Moon, da Miller/Coors, faz muito sucesso. Mas eu diria que ela é só uma porta de entrada para o universo das artesanais. As megacervejarias não estão preparadas para fazer o mesmo tipo de cerveja que as artesanais. Elas teriam de mudar muito. E quando você é enorme, é difícil mudar.

Você acompanha a chamada revolução cervejeira desde o começo. Qual você acha que é a causa dessa revolução e qual sua principal característica?,

Há uma lei da natureza que diz que quanto mais as coisas ficam grandes e concentradas em um extremo, mais variadas e loucas ficam no extremo oposto. Acho que isso define essa revolução. Acredito que a característica principal é a paixão que cervejeiros e consumidores têm pela cerveja.

Do que você observou no Brasil, em que ponto acha que esta revolução está aqui?

Eu diria que está 15 anos atrás dos EUA. A cerveja está em um momento de explosão em diversos países do mundo. É um fenômeno global.

Você identifica um estilo brasileiro de fazer cerveja?

Os brasileiros querem importar o jeito americano de fazer cerveja. A internet facilita isso: há muita troca de informação, as receitas estão online. Os cervejeiros brasileiros usam alguns dos produtos norte-americanos, como o lúpulo e, por aí, há uma aproximação. Por outro lado, a partir de uma receita tradicional, fazem uma cerveja com assinatura pessoal e ingredientes regionais.

Ficou com água na boca?