Paladar

Bebida

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Dê um banho de vinho em sua adega

Com as dicas doPaladar, aproveite o bota-fora em andamentoem oito importadoras e supermercados.Não podemosajudar na hora das deliciosas dúvidas quanto aesse ou aquele rótulo,mas indicamos 15 achadose apostas certeiras

17 janeiro 2013 | 07:20 por luizhorta

Eu tinha pavor dessas ofertas de início de ano. Mais de uma década atrás, cheguei a meu recorde: de uma dúzia de garrafas compradas, duas estavam boas. As demais já desciam a ladeira em velocidade impressionante, ou já tinham morrido mesmo. Apelidei as promoções de “festival do vinho oxidado”. Nunca na vida comi tanto coelho ao molho de vinho e bœuf bourguignon… Ainda bem que tudo mudou. O público ficou mais treinado e as importadoras se profissionalizaram.

Ser ponta de estoque no caso de vinhos não é mais ser vinho estragado. Muitas vezes é um produtor com o qual a importadora deixou de trabalhar, ou rótulos que não vai importar mais, e não vinhos no limite da validade (sim,vinho tem validade indefinida, mas também estraga).

De todo modo, são necessários cuidados. Observar as dicas que dou na capa (olhar a integridade da cápsula, o estado geral da rolha, a ausência de vazamento e a idade do vinho) não garante que o líquido esteja perfeito. Isso vale para todos os vinhos, não só em bota-fora, pois vinho é uma garrafinha de surpresas. Na própria vinícola, com o produtor, pode acontecer a terrível contaminação por TCA (abreviatura de 2,4,6-Tricloroanisol, um fungo que surge da lavagem da cortiça com cloro), algo que não tem conserto.

É parte do encanto do mundo dos vinhos: abrir, ter uma dose de incerteza sobre como a bebida está, principalmente no caso dos de guarda, longamente depositados em adegas, esperando o momento de serem bebidos. Optei abaixo por destacar os que certamente comprarei, por seremvinhos de que gosto e por estarem com bom preço, mas também pela resistência e durabilidade de muitos deles. Os fortificados, caso dos Portos e Madeiras, são durões, enfrentam até a

exposição a condições pouco favoráveis de estocagem. A chance de estarem deliciosos é maior.

O branco, um albariño (de ótima procedência, feito no Uruguai pelos impecáveis Bouza) é mais seguro, pelas características da casta. Os tintos escolhidos são dois châteaux de Bordeaux (o Comte  de Malarticé o segundo vinho do

excelente Malartic de Lagravière, cru de Péssac-Leognan) e um Tannat do ótimo Castillo Viejo.

Eles têm estrutura e até precisam esperar um tempo para estarem no seu auge. São boas compras, pois de safras recentes, e aguentarão ainda um tempo guardados. E para comprovar que os vinhos brasileiros também dão conta de durar, o Lote 43, que é um vinho equilibrado e  com 4 anos de idade está muito bem para consumo.

Uma recomendação adicional, caso pretenda comprar um volume grande: compre uma garrafa, prove e depois complete a encomenda. É melhor que levar caixas para casa e, ao abrir a primeira amostra, arrepender-se.

1. Miolo Lote 43 2008

Um dos bons vinhos brasileiros, com nariz contido e bom equilíbrio, tem muita elegância, taninos bem

trabalhados e boa estrutura. Longo e com agradável passagem pela boca. Perfeito para comida (R$ 62, no St. Marché).

2. Churchill’s Tawny 10 Years

Bom tawny com boca equilibrada entre a doçura e a acidez. Ótima evolução, com os aromas de frutos secos e algo de chocolate no nariz. Longo e agradável para tomar sozinho (R$ 75,60, na Expand).

3. El Preciado Gran Reserva

Corte em que predomina a Cabernet Franc, com discreta madeira e boa estrutura para aguentá-la. Safra 2006, tem taninos em evolução, presentes, mas finos, Muita qualidade por bom preço (R$ 59,90, na World Wine).

4. Château de L’Estang 2008

Um bordeaux de boa estrutura, simples, delicioso e pechincha por esse preço. Tem taninos redondos, acidez agradável e bom corpo, com muita fruta madura no nariz. Para beber logo (R$ 45,70, na Vinos & Vinos).

5. Bouza Albariño 2011

Os uruguaios Bouza fizeram este albariño para lembrar sua origem galega. Deu tão certo que ele virou esta curiosidade, o primeiro albariño na América do Sul. É fresco, com boa acidez (R$ 79,50, na Decanter).

6. Le Comte de Malartic 2009

Nariz elegante, taninos delicados e acidez gostosa com a mineralidade típica da região. É longo e fino na boca, com boa capacidade de guarda. Está pronto, mas vai ganhar com tempo de espera (R$ 144, na Grand Cru).

7. HM Borges Madeira 3 anos

É um madeira, tem complexidade de frutas secas, traços oxidativos, alguma salinidade no nariz e na boca é o encontro de estrutura, acidez e doçura encantadores. Pura alegria (R$ 52,71, na Adega Alentejana).

Ficou com água na boca?