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Heloisa Lupinacci

Duas novas cervejas trapistas

A norte-americana Spencer Trappist Ale é a primeira trapista fora da Europa

15 janeiro 2014 | 21:18 por Heloisa Lupinacci

O mundo ganhou mais duas cervejas trapistas: a Zundert Trappist, na Holanda, e a Spencer Trappist Ale, nos Estados Unidos. É a primeira trapista fora da Europa.

Para serem aceitas como trapista, essas cervejarias foram visitadas por uma comissão nos meses de outubro e novembro. A comissão apresentou um relatório para o conselho da Associação Trapista Internacional que, em 10 de dezembro, reconheceu ambas como cervejas trapistas, permitindo que elas usem este nome e a marca associada a ele.

 

Conheça a Zundert Trappist, nova cervejaria trapista da Holanda. Para ver as fotos é só dar play (dá até para ver as imagens em tela cheia). FOTOS: Divulgação

Sendo assim, elas se juntam às belgas Achel, Chimay, Orval, Rochefort, Westvleteren e Westmalle; à francesa Mont des Cats (que é de monges da França, mas é produzida na Chimay), à austríaca Stift Engelszell e à holandesa La Trappe.

Para ser trapista, a cerveja deve: “ser feita dentro de um monastério trapista, por monges ou sob a supervisão de monges. A produção de cerveja deve ter importância secundária dentro do mosteiro (a coisa mais importante é a religião) e deve responder às práticas de negócios próprias do modo de vida monástico. Não pode visar o lucro. A renda gerada deve ser usada para pagar as contas dos monges, do monastério e da cervejaria. O que sobrar deve ser doado para a caridade, para o serviço social e para quem estiver precisando. Cervejas trapistas devem responder aos parâmetros de vigilância sanitária, segurança e informação ao consumidor. A propaganda dessas cervejas deve ser marcada pela honestidade, sobriedade e modéstia próprios do espaço religioso em que são feitas.”

 

A Spencer Trappist Ale é a primeira cerveja trapista feita fora da Europa. FOTOS: Divulgação

Abadia. As cervejas trapistas são da família chamada abadia, formada principalmente por blonde, dubbel e trippel. O sommelier de cerveja Alfredo Ferreira, do Instituto da Cerveja, explica: “toda cerveja trapista é de abadia, mas nem toda cerveja de abadia é trapista”.

Esclarecido esse primeiro ponto, ele explica o que esperar no copo. As cervejas dubbel e trippel têm teor alcoólico elevado e corpo leve, característica que se deve à adição de um açúcar (candy sugar). Na dubbel, é adicionado candy sugar escuro, o que faz que ela fique avermelhada ou marrom – mas sem as características de sabor mais comumente associadas a esses tons mais escuros. É porque em quase todos os estilos, a cor mais escura vem do fato de o grão de cevada ter sido torrado, o que vai dar sabores tostados. Como nesse caso a cor é do açúcar, ela vem sozinha. Dubbels são marcadas por aromas de malte, caramelo e frutas secas.

As trippels têm um amargor mais marcante, notas de malte, e sabores condimentados e cítricos. É comum que essas cervejas passem por segunda fermentação na garrafa. A Zundert, por exemplo, é uma trippel.

Agora, para complicar as coisas, a Spencer Trappist Ale não é nem blonde nem dubbel nem trippel. É uma belgian pale ale, estilo que não é típico de abadia. Espera-se que seja dourada, com corpo leve e aroma de lúpulo leve, alguma coisa de notas de malte e de especiarias. “No limite, os monges podem fazer a cerveja que quiserem, se forem monges trapistas e receberem o selo da associação, a cerveja seja trapista”, resume Ferreira.

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