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Le Vin Filosofia

Suzana Barelli

É preciso coragem para comparar seu vinho com os ícones mundiais

Em 2004, Eduardo Chadwick arriscou e colocou a prova os seus rótulos premium junto com ícones franceses, no evento conhecido como Cata de Berlim,e venceu; conheça seus vinhos

09 de julho de 2022 | 03:01 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

O Seña é um dos grandes tintos chilenos. O seu reconhecimento não veio apenas da qualidade, que cresce a cada safra, mas de um evento ousado, organizado pelo produtor Eduardo Chadwick. Em 2004, ele arriscou e colocou a prova os seus rótulos premium junto com ícones franceses, no evento conhecido como Cata de Berlim. E, surpresa para os degustadores presentes, os chilenos venceram. O Viñedo Chadwick 2000 ficou em primeiro lugar e o Seña 2001, em segundo, numa degustação às cegas que contou com ícones franceses como os châteaux Lafite 2000, Margaux 2001 e Latour 2000.

Em evento em São Paulo para marcar a data, o enólogo Francisco Baettig serviu dez safras do Seña, destacando a sua evolução

Em evento em São Paulo para marcar a data, o enólogo Francisco Baettig serviu dez safras do Seña, destacando a sua evolução Foto: Suzana Barelli/Estadão

No ano seguinte, Chadwick repetiu o evento, desta vez em São Paulo. O Margaux 2001 ficou em primeiro lugar, seguido pelo Chadwick 2000 e pelo Seña 2001. Animado, o produtor promoveu a degustação em outros 15 lugares, sempre com resultados positivos para seus três vinhos – entre os premium, Chadwick também elabora o Don Maximiano. Agora, na comemoração dos 25 anos do Seña, que é seu vinho mais famoso, estas degustações voltaram a ser lembradas pela sua ousadia e importância. Em evento em São Paulo para marcar a data, o enólogo Francisco Baettig serviu dez safras do Seña, destacando a sua evolução.

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O Seña não está sozinho nesta trajetória. A argentina Laura Catena criou um modelo de comparar seus rótulos premium com grandes referências mundiais para discutir o conceito de grand cru. Na proposta de Laura, os brancos e tintos da Catena são comparados com vinhos do portfolio de sua importadora, a Mistral, no caso do Brasil.

A degustação não foi às cegas e a ideia principal não era fazer um ranking dos oito vinhos. A cada dupla de vinhos, os críticos comentavam sobre cru, longevidade, elegância, terroir. Assim, o White Stones 2019 fez dupla com o Borgonha 1er Cru Les Porusots 2018, da Domaine de Montille; e o White Bones 2019, com o Corton-Charlemagne Grand Cru 2019, de Joseph Drouhin, que vem de uma parcela de 0,3 hectare de cultivo biodinâmico. Aqui, foram quatro chardonnays que expressam, cada um, o terroir onde suas uvas são cultivadas.

Degustação da argentina Laura Catena para comparar seus rótulos premium com grandes referências mundiais

Degustação da argentina Laura Catena para comparar seus rótulos premium com grandes referências mundiais Foto: Kendy/Mistral

Nos tintos, Laura elegeu um pinot noir, o Gevrey-Chambertin Premier Cru Les Cazetiers 2018, da domaine Faiveley, para discutir o conceito de elegância com o seu Fortuna Terrae 2018, um malbec. E colocou dois cabernet sauvignon lado a lado, o Nicolas Catena Zapata 2016 com o Darmagi 2016, do italiano Angelo Gaja.

Na comparação entre os vinhos, parece desaparecer o conceito de Novo Mundo frente ao de Velho Mundo. E, na minha percepção, os rótulos argentinos tiveram pontuações mais altas, com exceção do Darmagi. 

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