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Suzana Barelli

Em termos de vinho, o Chile não é só o Reservado

Líder entre os rótulos importados pelo Brasil, país elabora vinhos em todas as faixas de consumo, dos mais simples e baratos aos premiuns

15 de junho de 2021 | 03:00 por Suzana Barelli, O Estado de S.Paulo

O nome Reservado, que estampa o rótulo de muitas garrafas de vinhos chilenos, funciona como uma faca de dois gumes. De um lado, o nome é ótimo, passa uma ideia de brancos e tintos de qualidade superior, semelhante a um reserva, que é uma categoria de prestígio. E, pelo preço, atrai facilmente o consumidor iniciante ou o mais despretensioso.

Mas o sucesso do Reservado no Brasil indica, para muitos, que este é o único – ou o maior – estilo do vinho chileno. O que, diga-se, não é verdade. O Chile, líder absoluto entre os rótulos importados pelo Brasil, com 42,7% do mercado, segundo dados da consultoria Ideal, elabora vinhos em todas as faixas de consumo, dos mais simples e baratos, como também os rótulos de qualidade intermediária e os premiuns, na qual tintos como Almaviva (R$ 2.561, na Wine.com.br), Don Melchor (R$ 1.027, na Casa Santa Luzia), Seña (R$ 2.300, na World Wine) e Clos Apalta (R$ 2.124, na Mistral) são alguns dos exemplos.

Oferta de vinhos chilenos vai muito além dos Reservados.

Oferta de vinhos chilenos vai muito além dos Reservados. Foto: Regis Duvignau/Reuters

O primeiro sinal de que o Chile quer chamar atenção para os seus rótulos de maior prestígio veio com a gigante Concha y Toro. A vinícola começou a promover a sua Cellar Collection, no Brasil, que reúne seus rótulos de maior qualidade, como o Amélia (R$ 429, na Vino Mundi), um chardonnay com uvas de Quebrada Seca, vinhedo em Limarí, ao norte do país, ou o Carmín de Peumo (R$ 830, no Vinhosbr.com.br), um dos melhores, se não o melhor, carmenère chileno. O ícone Don Melchor só ficou de fora porque desde o final de 2019, o vinho se tornou uma unidade de negócios separada, apesar de continuar pertencendo à CYT.

Agora, a Wines of Chile está lançando o Luxury Tasting, uma série de degustações, na qual os enólogos apresentam seus projetos, por uma plataforma virtual, e os consumidores convidados podem degustar os vinhos presencialmente. As provas, realizadas de acordo com os protocolos de prevenção à covid, vão acontecer a partir desta semana na seção paulista da Associação Brasileira de Sommeliers e no restaurante Bazzar, no Rio de Janeiro. As degustações seguem até meados do segundo semestre, quando terminam com uma prova com grandes rótulos chilenos, como Almaviva, Seña, Casa Real, degustados lado a lado.

“Queremos mostrar para o consumidor brasileiro que o Chile tem uma oferta importante de rótulos de qualidade”, afirma Angelica Valenzuela, diretora da Wines of Chile, organização que reúne as vinícolas do país. Os números de crescimento do mercado consumidor brasileiro durante a pandemia é um dos motivos da campanha – segundo a OIV, organização mundial da uva e do vinho, este aumento foi de 18% no ano passado em relação a 2019.

Outra razão é econômica. As exportações chilenas para o Brasil vêm aumentando mais em volume do que em valor. No ano passado, a alta foi de 39,3% em volume e de 23,9% em valor. Mas quando o tema são vinhos mais caros, as porcentagens se invertem. No que o Chile define como vinhos de terroir, que são aqueles comercializado por um valor entre US$ 140 e US$ 200 FOB a caixa de 9 litros, a alta foi de 40,5% em volume e de 44% em valor. Nos chamados de ultra premium, com preço FOB entre US$ 200 e US$ 400 a caixa, o aumento em volume foi de 56% e, em valor, de 66,5%.

A leitura chilena é que há mais espaço para crescer com estes rótulos, mas para isso é preciso divulgá-los para mais consumidores. “Nossa ideia é realizar eventos também em outras cidades brasileiras em 2022”, afirma Angélica.

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