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Isabelle Moreira Lima

Produtor francês fala sobre seus Malbecs de vinhedo único na Argentina

Patrick d’Aulan, sócio da vinícola Alta Vista, é um dos responsáveis pela promoção dos vinhos de vinhedo único na Argentina

05 outubro 2016 | 20:05 por Isabelle Moreira Lima

Produtor de Malbecs de vinhedo único na Argentina, o francês Patrick d’Aulan sócio da vinícola Alta Vista visitou o Brasil pela primeira vez nesta semana, quando comandou prova com três vinhos de terroir: Single Vineyard Alizarine, Serenade e Temis, todos safra 2011 (R$ 320 na Épice). Também apresentou três safras do premiado Alto (2005, 2006 e 2009), para contrariar o senso comum e mostrar que a Malbec pode envelhecer bem.

Nascido na família proprietária do Champagne Piper Heidsieck, vendida em 1988, é um fã de cortes. Em 1998, fundou a Alta Vista na Argentina, com a ideia de fazer vinhos como os do Velho Mundo, e hoje faz Malbec também no Chile, no seu projeto Altamana.

 

  Foto: Divulgação

A Argentina vive a onda do Malbec de vinhedo único, de terroir. Acha que há aproveitadores?

Ficou com água na boca?

É bom ser acompanhado por produtores de qualidade fazendo bons vinhos. Fico feliz em promover o conceito de vinhedo único, precisávamos nos reinventar. Mas temos que ser cuidadosos, claro. O vinhedo único pode virar uma assinatura dos argentinos e muitos vão querer entrar nesse grupo. Para evitar problemas, há proteções: a marca “single vineyard” foi registrada.

A Malbec virou uma marca para o bem e para o mal. Qual o maior preconceito que já ouviu?

O maior problema é ter virado uma marca, como o Sauvignon Blanc da Nova Zelândia. Todos conhecem o nome, mas também ficam confusos sobre o que é Malbec. Veem uns baratos e outros caros e não sabem qual a diferença. Acho que a saída é usar a Malbec para atrair a atenção e depois apresentar as diferentes camadas possíveis.

Se o vinhedo único é a moda presente, qual é o futuro do vinho argentino?

Todos conhecem a Argentina pela Malbec e precisamos pensar em novos conceitos dentro da cepa. Cofermentação com outras variedades é uma opção. Novas maneiras de vinificação também: usar menos madeira e mostrar mais pureza. Há ainda os cortes. Enólogos e produtores estão mais confortáveis em lançar mão deles, que podem exercer poder de atração com os mais jovens, mais curiosos e abertos a novos conceitos. De todo modo, em 20 anos, podemos ter certeza de que as pessoas ainda vão relacionar a Malbec à Argentina

 

Ficou com água na boca?