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Isabelle Moreira Lima

Espumantes para o ano-novo: dez diferentes borbulhas para brindar à meia-noite

Seleção traz bons rótulos nacionais, importados e de pequenos produtores de Champagne a partir de R$ 66

26 de dezembro de 2018 | 21:26 por Isabelle Moreira Lima, O Estado de S.Paulo

Está virando uma tradição de fim de ano por aqui a degustação de espumantes se tornar um pesadelo. Como tenho a meta de indicar rótulos interessantes por até R$ 100, provamos muitos, mas muitos vinhos baratos. Ocorre que o espumante parece ter virado a operação caça-níquel do mercado para pegar o bebedor ocasional e mais desatento com qualquer produto que traga “France” no rótulo.

Não pense que é esnobismo, mas aqui não há geografia que salve e nada mais distante de um champanhe do que isso. Meu conselho? Se o orçamento é apertado, invista seu dinheiro em um espumante brasileiro, há excelentes opções. E se prefere provar algo produzido fora do País, não compre às cegas, pesquise antes. Se puder gastar mais, há uma infinidade de produtos de diferentes países, espumantes portugueses, cavas, franceses de Champagne ou de outras regiões. 

Não brinde às cegas: espumantes virou operação caça-níquel do mercado para pegar o bebedor ocasional

Não brinde às cegas: espumantes virou operação caça-níquel do mercado para pegar o bebedor ocasional Foto: Clayton de Souza|Estadão

Fiz uma boa seleção de estilos e preços, de espumantes brasileiros até os champanhes de pequeno produtor, uma tendência forte na América do Norte e na Europa. Incluí ainda um lançamento no Brasil, o Barons de Rothschild Brut Millésime 2010, bem como um rótulo da casa Krug, uma das mais exclusivas de Champagne.

O ideal é que sejam servidos frescos e, se optar por um champanhe, siga o conselho do diretor da maison Krug, Oliver Krug, um hater da flûte: troque-a por uma taça de vinho branco e aproveite todos os aromas deste vinho complexo.

Espumantes de todo lugar

VICTORIA GEISSE EXTRA BRUT VINTAGE 12 MESES

(Origem: Pinto Bandeira, Brasil; preço: R$ 67,92 na Grand Cru)

Victoria Geisse Extra Brut Vintage

Victoria Geisse Extra Brut Vintage Foto: Grand Cru

Esse corte de Chardonnay e Pinot Noir é perfeito para o brinde de uma noite quente e funciona com entradas. Se o orçamento permitir, prove o de 24 meses em contato com as lias, mais estruturado (R$ 84,92).

BODEGAS LOZANO OPHICUS BRUT CUVÉE 

(Origem: La Mancha, Espanha; preço: R$ 66,30 na Decanter)

Bodegas Lozano Ophicus Brut Cuveé

Bodegas Lozano Ophicus Brut Cuveé Foto: Decanter

Um corte de Airén, Verdejo e Sauvignon Blanc que tem aromas de pera, maçã verde e flores. Na boca é fresco e leve. Perfeito para uma noite despojada com petiscos e em que as taças vão à pista de dança.

MIONETTO VIVO CUVÉE ORO EXTRA-DRY

(Origem: Vêneto, Itália; preço: R$ 76 na World Wine)

Mionetto Vivo Cuvée Oro Extra-dry

Mionetto Vivo Cuvée Oro Extra-dry Foto: World Wine

Despretensioso, é mais um que faz a festa quando não há muita pompa. É perfeito para o calor, com notas cítricas marcantes e pouco álcool (11%). Agradabilíssimo, tem a leveza ideal para prolongar a animação.

PIZZATO BRUT ROSÉ

(Origem: Vale dos Vinhedos, Brasil; preço: R$ 91,90 na Vinho Mundi)

Pizzato Brut Rosé

Pizzato Brut Rosé Foto: Vinho Mundi

Produzido com Pinot Noir e Chardonnay, no método tradicional, com dosagem de açúcar bem baixa, no limite entre o brut e o extra brut. Tem bom corpo e excelente acidez e vai além do brinde, como acompanhante do jantar.

MUSSO DE CASAROJO CAVA BRUT

(Origem: Alicante, Espanha; preço: R$ 99 na Winelovers)

Musso de Casarojo Cava Brut

Musso de Casarojo Cava Brut Foto: Winelovers

Um achado de perlage bem fininho, fresco, leve, com aroma tostadinho e de panificação, boa textura e estrutura para acompanhar comida. Sem falar que vale para sair do comum, pois é 100% Macabeo orgânico, uma cepa geralmente cortada com outras. 

PHAUNUS PET NAT 2016

(Origem: Vinho Verde, Portugal; preço: R$ 209 na Winelovers)

Phaunus Pet Nat 2016

Phaunus Pet Nat 2016 Foto: Winelovers

O mais diferentão do grupo é feito apenas com a Loureiro, sem adição de açúcar ou levedura. É fermentado uma vez só e não é filtrado. Tem pouco perlage, porém as borbulhas são finas, e a acidez, altíssima. O nariz é fresco e sutil e na boca é agradabilíssimo, cítrico e floral.

Direto de Champagne

LOUISE BRISON ROSÉ 2010 

(Preço: R$ 365 na Belle Cave)

Louise Brison Rosé 2010

Louise Brison Rosé 2010 Foto: Belle Cave

Embora não traga a safra no rótulo (burocracias), este é um legítimo 2010 de pequeno produtor, um achado. A cor é intensa e há bastante estrutura para ladear a ceia, sem perder a elegância e a finesse jamais.

ROBERT MONCUIT GRAND CRU

(Preço: R$ 455 na Anima Vinum)

Robert Moncuit Grand Cru

Robert Moncuit Grand Cru Foto: Anuma Vinum

Trata-se de uma joia rara que une dois predicados hipersedutores para o enófilo: pequeno produtor e grand cru. Traz a finesse de um 100% Chardonnay, é mineral com aromas de pera e flores brancas e um quê de croissant. Encanta também pela sua acidez vivaz.

BARONS DE ROTHSCHILD BRUT MILLÉSIME 2010

(Preço: R$ 795 na Magnum Club)

Barons de Rothschild Brut Millésime 2010

Barons de Rothschild Brut Millésime 2010 Foto: Magnum Club

Lançamento no Brasil, esse champanhe feito com partes iguais de Pinot Noir e Chardonnay ficou por três anos com as leveduras. Após o dégorgement, repousa por mais sete nas adegas. O resultado é complexidade de aromas, de frutas a especiarias doces, e ótima estrutura.

KRUG GRAND CUVÉE 166ÈME ÉDITION

(Preço: R$ 1.157 na Casa Santa Luzia)

Krug Grand Cuvée 166 Ème Èdition

Krug Grand Cuvée 166 Ème Èdition Foto: Casa Santa Luzia

Deliciosos aromas de brioche são o cartão de visitas desse rótulo, que explode na boca com perlage finíssimo. É também didático, ao explicar o termo cremosidade, tão usado para descrever champanhes. E longo (cabe até piada: dura até 2020?).

 

Ficou com água na boca?