Paladar

Bebida

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Luiz Horta

Luiz Horta

Está de drinques comigo?

Nada era mais elegante que um cavalheiro de dinner jacket segurando uma taça de martini

09 dezembro 2010 | 10:17 por Luiz Horta

Não tinha coisa mais elegante que um cavalheiro de dinner jacket segurando uma taça de martíni. Isso moldou o ideal de ego da minha geração - David Niven, Fred Astaire e Sean Connery pareciam ter nascido com uma coqueteleira na mão e uma receita pessoal de dry (com ou sem bitter, com casquinha de limão apenas suada no calor de um fósforo e por aí afora). Então o mundo ficou com pressa, a bebida virou um meio, algo para sintonizar a cabeça com o som alto do clube.

A vodca pura passou a reinar, e a arte do coquetel elaborado entrou em completo esquecimento. Andei procurando um bom uísque sour recentemente. Foi uma sucessão de decepções. Parece que ninguém sabe que o "sour" do nome quer dizer azedo, que a acidez é necessária nessa fórmula deliciosa para contrabalançar a doçura do bourbon.

Aproveitando esta edição do Paladar com drinques novos e inventivos, pedi ao barman Fábio Dias, do Volt, que sabe tudo das misturas de bebidas, para executar meus clássicos preferidos. É preciso entender que os drinques são fórmulas, com proporções e equilíbrio, muitas vezes aperfeiçoadas por décadas de experimentações e erros (e ressacas). Uma sintonia.

Prefiro os drinques longos, matadores de sede e não adocicados. Daí querer meu gim fizz, e não tônica; a prazerosa salada adulta do bloody mary; a sourness do uísque sour; e, claro, como ainda tenho esperança de me tornar magicamente Cary Grant, um martíni executado com precisão de um alfaiate de Savile Row.

É irresistível a anedota com o cineasta espanhol Luis Buñuel, grande consumidor do coquetel que, como os mais fanáticos por martínis, apreciava os ultrassecos, sem vermute. Na hora da adição do Noilly Prat ele propunha: coloque a garrafinha do bitter con tra a luz do sol e deixe um raio atravessá-la e tocar a taça cheia de gim gelado. Só.

Dry martíni 

Para ser bem canônico, leva quatro exatas gotas de vermute Noilly Prat depositadas sobre uma dose de gim em bastante gelo na coqueteleira. Tudo mexido, coa-se o gelo e serve-se numa taça de 100 ml

Uísque sour

Bourbon com uma base cítrica, toque de açúcar e suco de limão. A espuminha de clara é imprescindível para dar textura.

Bloody Mary

Outro grande favorito, o melhor é feito com suco de tomate com textura e corpo, boa vodca e molho inglês original.

Gim fizz

É o gim tônica para quem não gosta de tônica (meu caso) e leva soda. Com uma cereja e limão, vira um tom collins

 

ONDE BEBER

Bar Volt

R. Haddock Lobo 40, 2936-4041. Drinques entre R$ 18,90 (com bebidas nacionais) e R$ 24,90 (com importadas)

Ficou com água na boca?