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Eu bebo gim, estou vivendo

O mais aromático dos destilados viu seu consumo crescer mundialmente e ganhou versões artesanais, com direito a releituras, caso do Gin Mare, espanhol feito com temperos pouco comuns, que chega ao Brasil hoje

06 março 2013 | 23:59 por redacaopaladar

Eram 13 garrafas: seis industriais, disponíveis no mercado brasileiro, e sete artesanais, trazidas em malas de viagens, presenteadas por amigos. Para prová-las, escalamos um zimbro trio – Luiz Horta, crítico de vinhos e spirits do Paladar; Antonio Farinaci, repórter que foi a Londres visitar a Sipsmith; e Edgar Costa, um dos donos da Companhia Tradicional do Comércio, fã do destilado e responsável pela carta de gins-tônicas que chegou à segunda edição no Astor na semana passada.

Os gins produzidos em larga escala entraram na prova para servir de parâmetro: Gordon’s, Tanqueray, Beefeater e Bombay, além das edições especiais Tanqueray 10 e Beefeater 24. Como ninguém toma gim puro, na degustação eles foram diluídos em doses iguais de água.

A respeito dos tradicionais, duas considerações: o Beefeater se saiu muito bem. “No olfato, parece com os outros, mas na boca é muito melhor”, resumiu Costa. E o Tanqueray 10 merece muito respeito. Costa contou que ouviu do head bartender do Savoy de Londres, Eric Lorincz, campeão do World Class 2010, que tem todos os gins do mundo à sua disposição, que o Tanqueray 10 é o melhor gim para fazer dry martini. Simplesmente.

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Em alta. O consumo de gim cresceu em todo o mundo, especialmente entre 2009 e 2011, com a volta à moda de drinques que levam o destilado perfumado: negroni, dry martini, gim-tônica e gim fizz. No Astor, o consumo aumentou em 80% nos últimos dois anos. “Para um bar, é um crescimento absurdo. Mas para a indústria este ainda é um mercado muito pequeno e não compensa importar”, diz.

Isso explica a ausência de rótulos artesanais no mercado brasileiro. Cenário que, porém, pode estar começando a mudar. Na nova carta de gins-tônicas do Astor está o espanhol Mare, artesanal importado pela Mr. Man.

Da oferta ampliada de rótulos de gim, podem vir bares dedicados à bebida. Paulo Yoller, do Meats, tem planos de fazer um bar especializado no segundo andar da hamburgueria. A ideia é abrir no segundo semestre. No Astor, Costa promete: “Se a oferta fosse maior, a gente faria uma carta de dry martini”.

Enquanto novos gins artesanais não chegam por aqui, o negócio é pedir para os amigos trazerem nas malas de suas viagens ao Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Espanha ou Curitiba.

COPOS NA MESA

Para a degustação, no Astor, todos os gins foram diluídos em partes iguais de água.

 

Sipsmith London Dry – O favorito

Escolhido como favorito pelo zimbro trio, o Sipsmith daria “o gim-tônica perfeito”. Com aroma marcado de cardamomo – Costa foi até o bar buscar algumas sementes do tempero para comparação–, este é um “gim bem gim, sem querer inventar moda”.

Brooklyn Gin – Do novo mundo

Destilado no Estado de Nova York e finalizado no Brooklyn, é um gim com “cardamomo explosivo”. Bem macio, lembra um “travesseiro de macela”, com aroma de camomila, semente de salsão e cítrico marcado. “Deve dar um bom dry martini.”

Blackwoods - Gim com safra

Feito no norte da Escócia, é o único que usa zimbro colhido à mão na sua produção. Como as estações variam muito na região, é um gim safrado. Na boca, porém, o pinho foi pesado e as lembranças rumaram para banheiro limpo e perfume masculino barato.

Monkey 47 - Da floresta negra

A garrafa foi logo eleita uma das favoritas por ter cara de frasco de veneno. Mas o gim feito na floresta negra, na Alemanha, não empolgou. “O nariz é melhor que a boca”, foi o comentário geral sobre a bebida em que prevaleceu o aroma de lavanda.

Portobello Road - O vice-campeão

Feito em Notting Hill, “na sobreloja de um bar desconhecido, com uma produção minúscula”, puxa para madeira. “Tem aroma de poeira.” A sugestão: “Um gim-tônica com noz-moscada ralada só um pouco do lado de fora e colocada inteira dentro do copo”.

Gin Mare – Mar destilado

Feito na Costa Brava espanhola, esse gim é todo feito de ingredientes não convencionais: alecrim, tomilho, manjericão. O resultado: “Tem gosto de marisco, cheiro de mar, todos os verdes prometidos e casca de ostra. Não parece gim, parece outra bebida engraçada”.

Sacred - Um jardim britânico

Tem tanta erva que lembrou “um jardim de Gertrude Jekyll” (paisagista inglesa, 1834-1932). “Longo e picante, é delicado e envolve a boca.” Sugestão: fazer um dry martini bem estranho – pode ser até com o vermute da Sacred também.

RECEITAS:

+ Para os clássicos, Dry Martini

+ Para os práticos, Gim Tônica

+ Para os destemidos, Monkey Gland

ONDE

Em São Paulo

- Gin Mare

Mr. Man: Rua Beatriz, 150; 3030-7100; www.marman.com.br

Gins tradicionais

- Santa Luzia

Al. Lorena, 1.471; 3897-5000; www.santaluzia.com (Hendrick’s, Bombay, Gordon’s, Beefeater, Tanqueray)

- Empório Santa Maria

Av. Cidade Jardin, 790; 3706-5211; www.emporiosantamaria.com.br (Tanqueray e Tanqueray 10, Bulldog, Hendricks, Bombay, Gordon’s, Escape 7)

Em Londres

- Sipsmith

Visitas monitoradas, com degustação, às quartas, das 18h às 20h, com agendamento. Nasmyth St., 27. Tel: 020 8741 2034.

- City of London Dry Gin

Visitas de segunda a sexta, do meio-dia às 15h. Bride Lane, 22-24. Tel.: 020 7936 3636

- Sacred

Não é aberto ao público. Fica na Talbot Rd., Highgate, Tel: 208 340 0992

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