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Heloisa Lupinacci

Filhas de pai tripel e mãe IPA

Conheça as belgian India Pale Ales

05 agosto 2015 | 21:05 por Heloisa Lupinacci

Imagine misturar a riqueza aromática da Duvel com a explosão de lúpulos da Ballast Point Sculpin ou a complexidade da Tripel Karmeliet com o amargor Sierra Nevada Torpedo. Parece boa ideia? É mesmo. Tão boa que virou estilo cervejeiro. Estou falando das belgian India Pale Ales (belgian IPA).

Elas são filhas de pai belga (tripel ou strong golden ale) e mãe americana (IPA). Têm os aromas de condimentos que vêm de fermentos típicos da Bélgica e o buquê tropical extraído dos lúpulos típico das american IPA. O corpo generoso das belgas equilibrado com o amargor típico da IPA.

Para essa degustação, que fiz com Luis Celso Jr., sommelier, professor do Instituto da Cerveja e autor do blog Bar do Celso, escolhemos duas belgas e duas brasileiras.

DE RANKE XX BITTER

FOTOS: Divulgação

Origem: Wevelgem, Bélgica

Preço: R$ 29 (330 ml)

É um modelo do estilo, ao lado da Stone Cali-Belgique (que não vem para o Brasil) e da Chouffe Houblon Dobbelen IPA Tripel (que vem e custa R$ 28, 330 ml). Tem cheiro de laranja com noz-moscada. Na boca, as notas condimentadas (noz-moscada e cravo) ganham força, o cítrico dá uma sumida e o amargor vem forte. É Ballast Point Sculpin com Duvel, agrada a fãs de IPAs em busca de complexidade. Tem final seco. Vai bem com carnes gordas com algo doce e pode ficar incrível com sanduíche de pernil e abacaxi grelhado.

GOUDEN CAROLUS HOPSINJOOR

Origem: Mechelen, Bélgica

Preço: R$ 26, 330 ml

De cara ela é bem mais belga, tem cheiro de compota de damasco e noz-moscada, um buquê exuberante. No nariz, quase não se sente lúpulo. Na boca, o dulçor – que é a cara das cervejas belgas – é o mais impactante. O lúpulo empresta mais gosto do que amargor a essa cerveja. A evolução do gole é interessante: por mais doce que ele comece, termina seco. Para quem gosta de doces ou de cerveja adocicada. É Trippel Karmeliet com Sierra Nevada Torpedo. Vai bem com kafta de cordeiro.

OGRE BEER DJANGO CIGANO

Origem: Curitiba (PR)

Preço: R$ 25 (600 ml)

Ela é o meio termo entre as cervejas desta prova. É uma cerveja equilibrada, fácil de beber. No nariz, o lúpulo começa a conversa, com notas cítricas. É menos cheirosa que as belgas. Na boca, tem mais corpo. É a mais maltada de todas. Conforme esquenta no copo, os aromas típicos de belgas – pêssego, laranja, noz-moscada e cravo – aparecem mais. É filha da Westmalle Tripel com Sierra Nevada Torpedo e combina com tonkatsu (receita japonesa de porco milanesa com molho intenso e adocicado).

BURGMAN RABO DE ARRAIA

Origem: Sorocaba (SP)

Preço: R$ 15,50 (355 ml)

Ela se apresenta toda tutti frutti. Com um pouco de atenção, começam a aparecer notas de lúpulo cítrico e, com mais atenção ainda, notas discretas de condimentos, como noz-moscada. Na boca, ela é doce do começo ao fim do gole. Em segundo plano, mas bem marcante, vêm as notas condimentadas, que equilibram essa doçura toda. Tem cara mais belga que americana, está mais perto da Gouden Carolus Hopsinjoor do que da XX Bitter. Vai bem com quiche lorraine (queijo com bacon).

 

 

Ficou com água na boca?