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Garçom, mais um

Tempo curto, celular, lei seca, fim do cigarro – e os drinques foram perdendo espaço nos restaurantes. A estratégia de algumas casas para trazer de volta esses ícones românticos é abrigar no mesmo endereço os próprios bares

30 outubro 2013 | 22:43 por joseorenstein

Primeiro veio a lei antifumo; depois, a lei seca. Teve também a ascensão dos vinhos e toda a cultura enófila que lhes acompanha, com sommeliers, taças, adegas climatizadas. E os coquetéis foram perdendo espaço nas mesas de São Paulo.

“Nos anos 1980, o barman era o cara mais conhecido do restaurante, mas isso se perdeu”, lembra Cid Simão, um dos sócios do restaurante TRE, que inaugurou há duas semanas o bar Isola, marcando um curioso movimento na cidade: restaurantes que abrigam, no mesmo endereço, bares – com boa oferta de drinques e espíritos.

Abrem hoje o eStônia, no subsolo do restaurante Ramona, no centro, e o Admiral’s Place, em cima do restaurante Sal, na Consolação. Somam-se ao Isola e ao Tatu, aberto no subsolo do Jacarandá no primeiro semestre.

ISOLA

FOTOS: Epitacio Pessoa/Estadão

Funciona desde o dia 15 num estreito espaço adjacente ao TRE do shopping JK. Era um bar de espera mesmo, mas foi convertido num espaço de culto aos coquetéis. Tem o inconveniente de funcionar nos horários do shopping e, bem, estar dentro de um shopping. O barman Spencer Jr. (foto), que comandava o recém-fechado MyNy, no Itaim, teve carta branca para montar o cardápio de drinques, do qual constam cinco criações suas, como o aromático el professor (foto), com xarope de agave e baunilha, pera e tequila. Os clássicos também estão lá, mas com alguns toques seus: o negroni é envelhecido em umburana. “Somos o primeiro bar a usar madeira brasileira”, orgulha-se Spencer, enquanto prepara sua versão de bloody mary com suco de tomate feito por ele mesmo, assim como alguns bitters que usa nos coquetéis. Os drinques têm referências bibliográficas: no cardápio, são indicados o ano e o bar em que foram criados.

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2.041, Itaim Bibi, 3167-4004. 18h/23h (6ª a dom., até 24h)

ADMIRAL’S PLACE

FOTOS: Epitacio Pessoa/Estadão

O chef Henrique Fogaça não para: além de tocar o restaurante Sal, organiza a feira de comida de rua O Mercado e comanda o Cão Véio, bar que abriu no começo do ano. Para não falar na carreira de vocalista de banda de rock pauleira. Agora, ao lado da mulher Fernanda e do agente de bandas de metal, o alemão Matthias Prill, ele inaugura o Admiral’s Place. Eles montaram no segundo andar do Sal um ambiente charmoso, com cara de clube restrito e sofás, em que o cliente se afunda no uísque. Os 30 rótulos de single malt são o destaque da casa, que serve também coquetéis clássicos e os inventados pelo barman Fernando Lisboa (foto), como o drink admiral’s (foto), de rum, kiwi, abacaxi e xarope de romã.

R. Minas Gerais, 352, Consolação, 3257-1575. 18h/0h (5ª a sáb., até 1h; fecha dom.)

ESTÔNIA

FOTO: Marcos Finotti/Divulgação

FOTO: Codo Meletti/Estadão

A casa abre oficialmente hoje, embora desde o começo do ano receba festas fechadas e outros eventos. Seguindo a pegada roqueira do Alberta #3 e do Ramona, os sócios acolheram o nome eStônia, a imaginária morada dos Stones. Quem comanda o bar é Renan Tarantino, que cuidava dos drinques do Ramona. Ele quer fazer tudo na casa: do vermute aos bitters que usa nos coquetéis, como o brandy crusta (foto), receita de 1852. No subsolo do Ramona, o eStônia mistura o clima de garagem e speakeasy: luz baixa, vigas aparentes e colagens nas paredes.

Av. São Luís, 282, República, 3258-6385. 20h/2h (fecha dom. e 2ª)

TATU

FOTOS: Alex Silva/Estadão

Foi o pioneiro dessa leva, aberto ainda na primeira metade deste ano no subsolo do restaurante Jacarandá. “Álcool, música e outros prazeres subterrâneos”, indica o slogan do aconchegante local. Com programação musical constante, o Tatu tenta reocupar o vazio deixado pelo bar Supremo. Mas não descuida do que vai no copo, como no jacarandá (foto), criado por Ezequiel Rodrigues, à base de cachaça, cardamomo e abacaxi.

R. Alves Guimarães, 173, Pinheiros, 3083-3003. 20h/2h (de 6ª a dom.)

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 31/10/2013

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