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Garrafas que vão bem na mesa de boteco

É uma pena que os vinhos ainda não tenham encontrado espaço nas mesas de bar em São Paulo, como é comum nos países europeus, especialmente na França, na Itália e na Espanha. Há vinhos que combinam bem com a comida e o ambiente descontraído dos bares.

23 julho 2014 | 22:15 por marcelmiwa

É claro que ninguém vai a um bar para degustar grandes rótulos, a finalidade de uma botecada (o ato é tão popular que se tornou verbo) é encontrar pessoas e conversar, discutir ou praticar filosofia de boteco. E, é claro, também, beber e comer direito – e botecos que tratam mal comida e bebida deveriam ser banidos do universo. Mas daí a achar que alguém vai a um bar com sede e fome de informações profundas sobre comida e bebida, ou em busca de serviço de restaurante estrelado, vai uma grande distância.

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O fato, porém, é que, quando chega ao boteco, o vinho tem muitas lições a tirar da cerveja. – que, aliás, se instalou sem cerimônia nos restaurantes, em cartas exclusivas ou ocupando boa parte de cartas de bebidas.

Preço razoável, refrescância e leveza são atributos da cerveja valorizados no ambiente de bar. Com o vinho, é parecido.

O que funciona nos bares é serviço descomplicado, o que se traduz por garrafas vedadas com tampa de rosca (screwcap), modelo único de taça para tintos e brancos. Espumantes e brancos podem tranquilamente repousar dentro de uma geladeira comum, boteco não precisa de adega, e os tintos nos lugares mais frescos do salão, protegidos da luz e de fortes odores.

Sobre os rótulos, obviamente os que combinam com os bares são mais baratos e simples. Nesse universo, vinhos com menor concentração e intensidade cansam menos o paladar. Aqueles com muita madeira e potência “gritam” por atenção, e este não é o lugar para eles. Diversificação de rótulos servidos em taça também é um bom caminho para que os vinhos conquistem espaço no bar.

Eu e Guilherme Velloso ficamos pensando que vinhos dariam certo no balcão? Nossa seleção está aí abaixo.

VINHO DE BOTECO

Fácil. Um vinho de boteco não exige grande concentração do bebedor para captar as complexas notas de aroma. Ele é, em primeiro lugar, simples.

Leve. A ideia, no boteco, é a bebida acompanhar a conversa, e se o papo for longe, o vinho não pode ser pesado, não pode cansar o botequeiro.

Barato. Com a perspectiva de tomar várias garrafas e dividi-la em turma, o vinho deve ter um preço razoável, cerca de R$ 50.

FOTOS: Divulgação

Ponto Nero Espumante Moscatel

Vale dos Vinhedos, Brasil

Está entre os moscatéis mais secos do mercado. Equilibrado, é boa solução como aperitivo e encara petiscos, tanto os de sabor doce e salgado.

Espumante Salton Reserva Ouro

Serra Gaúcha, Brasil

O rótulo até é manjado, mas difícil encontrar maior qualidade nessa faixa de preço. O lado cítrico ganha complexidade com os fermentos e não faz feio em comemorações.

Falerna Pedro Ximénez

Elqui, Chile

Eis uma boa opção para acompanhar manjubinhas fritas. A uva Pedro Ximénez é mais associada aos vinhos de Jerez. Este exemplar chileno é seco e tem boa acidez.

La Posta Cocina Blanco

Mendoza, Argentina

Bom e barato. Resultado de projeto liderado por Laura Catena, filha de Nicolás. Experimente combinar este vinho com empanadas (argentinas, é claro!). Fica perfeito.

Morandé Pioneiro Pinot Noir

Casablanca, Chile

Pescados e frituras são boas companhias para esta tinto. A Pinot Noir tem a vantagem de ser delicada. Nesta versão chilena a fruta é intensa mas não domina.

Herdade dos Coelheiros Ciranda Tinto

Alentejo, Portugal

Preço: R$ 51,07  mistral.com.br)

Tinto redondo e gostoso, fácil de beber (muita fruta) e de gostar. Bom para acompanhar croquetes de carne ou de carne-seca com mandioca.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 24/7/2014

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