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Só de birra

Heloisa Lupinacci

Gaúchos soltam os cachorros

Conheça mais sobre as cervejas do sul do país

07 janeiro 2015 | 17:27 por Heloisa Lupinacci

Bem no finzinho do ano, já era dezembro, o clima de férias no ar, foi lançada sem muito alarde em São Paulo uma nova cervejaria gaúcha, a Perro Libre.

Ela chegou ao mercado com três rótulos, uma american pale ale (Hopping Hood), uma india pale ale ao estilo inglês (Dog Save the Queen) e uma pilsen, a Viva la Revolución. E é ela, a pilsen, que você deve experimentar. Não que as outras não sejam boas, são ótimas também (o carro-chefe é a APA). Mas os caras acertaram em cheio na pilsen. Ela é aromática, cheia de personalidade e muito, mas muito refrescante.

FOTO: Reprodução

E sinaliza para uma mudança no tratamento que esse estilo recebe. É bem comum ouvir um discurso antipilsen nos redutos cervejeiros. A lager clara e cristalina criada na República Checa no fim do século 19, que virou padrão no mundo todo e acabou se transformando na cerveja levemente insípida predominante, é injustamente vista como ruim por aqueles que descobrem as explosões de aromas e sabores de pales ales com carga extra de lúpulo.

Acontece que ela é uma base generosa para o que o cervejeiro quiser. “Eu gosto muito de fazer lager, porque elas são muito limpas e deixam muito espaço para brincar. É como uma tela em branco, para pintar”, diz Thiago Galbeno, cervejeiro da Perro Libre.

A intenção de Galbeno ao desenvolver a Viva la Revolución, uma pilsen com malte inglês e lúpulo americano (que passa por dry hopping, processo em que o lúpulo é adicionado à cerveja pronta, com as variedades amarillo e cascade) foi “tirar a coleira” da pilsen. “Queria uma pilsen com muita personalidade, com uma pegada de lúpulo.”

A Viva la Revolución se soma a um belo time de pilsens feitas com capricho por cervejarias criativas. A Dama 2014 American Lager (dry hopping com a variedade citra), a Burgman Casanova (dry hopping de motueka) e a Jan Kubis, da DUM (dry hopping de simcoe).

Esse time de boas cervejas aponta para uma mudança nas pilsens feitas no Brasil. “Muitas cervejarias fazem cervejas boas, mas na hora da pilsen fazem uma cerveja normal, pensando na massa”, diz Thiago. Mas isso vem mudando, com o surgimento de lagers claras cheias de personalidade. Sorte de quem gosta de cerveja. Elas combinam perfeitamente com o calorão que vivemos na maior parte do ano e combinam também com longas conversas na mesa de bar – em geral, são menos alcoólicas (a pilsen é a cerveja da Perro Libre com menor teor alcoólico, 4,8%).

PERRO LIBRE VIVA LA REVOLUCIÓN

Origem: Porto Alegre (RS)

Preço: R$ 18,50 (355 ml)

Uma cerveja clara, um pouco mais âmbar que uma convencional, essa pilsen com carga caprichada de lúpulo já mostra no nariz a que veio. Um buquê cítrico bem expressivo, com um leve toque herbal, dá pistas de que será refrescante. Na boca, ela é objetiva: uma explosão de cítricos com amargor bem definido em um gole cristalino, que dá vontade de tomar mais imediatamente. Combina com hambúrguer feito na grelha, com churrasquinho e com a tarde inteira.

Ficou com água na boca?