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Heloisa Lupinacci

Graja Beer, do Grajaú, desbrava fronteiras com cervejas colaborativas

As autorais larger clara e session IPA são vendidas dentro da comunidade; fora dela, experimente as parcerias com a Caravan e a Vórtex

28 de agosto de 2020 | 03:00 por Heloisa Lupinacci, O Estado de S.Paulo

"Comecei a tomar cerveja artesanal em 2008 e, circulando com meus amigos nos pubs, vinha a questão: não víamos pessoas iguais a nós – em cor, camada social e região – bebendo e confraternizando. Apenas no serviço", diz Leandro Sequelle. Antes de contar a história dele, faço um convite: embora as memórias de bares cheios esteja ficando embaçada com tantos meses de quarentena, tente se lembrar da última vez que esteve em um e se havia, nas mesas, diversidade.

Sequelle transformou a falta de pessoas negras e periféricas nos bares que frequentava em combustível para dar origem a uma cervejaria paulistana e única: a Graja Beer. Totalmente voltada para o Grajaú, no extremo sul de São Paulo.

Leandro Sequelle transformou a falta de pessoas negras e periféricas nos pubs em combustível para criar a Graja Beer.

Leandro Sequelle transformou a falta de pessoas negras e periféricas nos pubs em combustível para criar a Graja Beer. Foto: Míria Lima

A Graja Beer nasceu em 2016 com uma lager clara carregada na identidade local e com carga extra de malte, para equilibrar e não assustar paladares acostumados às cervejas comerciais. No rótulo, a avenida principal do bairro. "É bem na cara. Tem o nome do bairro, foto do bairro, sabor e preço agradáveis." Emplacou e espalhou-se por 33 pontos de venda só na comunidade. "Não quisermos vender pra fora."

Dois anos depois, a Graja Beer lançou uma session IPA, "para dar um passo a mais no paladar." No rótulo, traz os 23 nomes dos bairros do Grajaú. No ano passado, foi a vez de abrir o pub. "A gente produz no pub, mas não para venda. A ideia é ensinar o processo de fabricação da cerveja para a comunidade. E vai além, o pub mira a criação e o fortalecimento da cultura local. A cozinha é baseada nos ingredientes orgânicos produzidos na região do Grajaú e a programação é definida pela troca com coletivos locais. Teve lançamento de marca de roupa de criadores da região, promovíamos o Sarau das Minas com um coletivo de mulheres do bairro, além de shows de artistas locais. O foco foi criar raízes dentro da counidade e levar o nome pro mercado de uma outra forma."

"A cerveja de quebrada", diz o rótulo da lager clara da Graja Beer.

"A cerveja de quebrada", diz o rótulo da lager clara da Graja Beer. Foto: Regiane Cruz

Deu certo. O circuito cervejeiro catou a movimentação e começaram a surgir os convites para colaborativas. A primeira foi com a Goose Island (cervejaria de Chicago que foi comprada pela Ambev e tem um brewpub no Largo da Batata), depois vieram parcerias com a Caravan (que fica em Pinheiros) e a Vórtex (na Granja Julieta). Com a pandemia, ficaram em pausa outras colabs, com a Cervejaria Nacional (também em Pinheiros), a Avós (na vila Ipojuca), a Urbana (do Jabaquara), "e mais uma galera", resume Sequelle. 

A pandemia também afetou o funcionamento do pub, que segue fechado. "Não quisermos aderir à fase de reabertura por achar que nada está resolvido no quesito pandemia", diz Sequelle, que calcula uma possível reabertura para outubro. "Até lá, seguimos com o delivery no fundão do Grajaú..." Os pedidos são por Whatsapp, com informações no @grajabeeroficial no Instagram. "Quem for de fora, pode provar as colaborativas com a Caravan, em Pinheiros, e a Vórtex, na Granja Julieta". A Grajamaica é uma wit com a Caravan (R$ 30, 1 litro, caravanemcasa.com.br). A Da Sul é uma milkshake IPA com a Vórtex (R$ 54,50, 1 litro, www.vortexbrewhouse.com.br)

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