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Grife franco-chilena, Lapostolle pega a onda do vinho rosé

Por Isabelle Moreira Lima

06 janeiro 2016 | 18:29 por redacaopaladar

É tradição de família: as casas produtoras de bebidas em geral são passadas de pais para filhos e geridas pelos mesmos sobrenomes por gerações. Para os descendentes, o desafio é manter a qualidade alcançada no tempo do tataravô. Mas muitos querem ir além para deixar sua marca na gestão dos negócios.

É o que vem fazendo o franco-suíço Charles de Bournet Marnier Lapostolle, cujo sobrenome tem o peso da família que criou o licor Grand Marnier em 1880. Nos anos 1990, sua mãe, Alexandra Marnier Lapostolle, da sexta geração da família, deixou a França para fazer vinhos no Chile. Depois de tropeços iniciais, a vinícola Lapostolle tornou-se um dos nomes mais fortes da região, sob a assessoria do célebre Michel Rolland.

Em 2013, Alexandra passou o comando da empresa para Charles, que aos 34 anos acaba de lançar o primeiro produto criado totalmente em sua gestão: Le Rosé 2014, um rosado ao estilo da Provença. O vinho chega em um momento em que, para muitos, beber rosé significa estar antenado e ter algum nível de sofisticação. Charles diz que nem pensava nisso ao “encomendá-lo”. A ideia era evitar o consumo de tintos no almoço de um dia de verão de 38ºC, além de querer mudar a imagem de que o rosado é feito com “sobras”.

Charles Lapostolle, que assumiu há três anos a gestão da vinícola da família. FOTO: Divulgação

Apesar do fenômeno do “brosé” (rosé para homens, no trocadilho com “brother”), o produtor diz que um de seus desafios é justamente fazer com que os homens se dispam do preconceito. “O homem tem que ser seguro de si, beber rosé, usar camisa rosa.”

Curiosamente, o país que mais comprou seu rosado foi a França. Para ele, “é como vender madeira na Amazônia”, mas tem funcionado. A safra de 2014 rendeu 15 mil garrafas. Em 2015, espera 40 mil e, neste ano, 80 mil.

Além de vinho, pisco chileno. Antes de assumir a vinícola, Charles Lapostolle queria fazer cachaça no Brasil. Passou uma temporada no Rio em 2010, viajou pelo Nordeste e por Minas. Pesquisou, provou de tudo e concluiu que há muita disputa no mercado, os produtores são desunidos e a legislação é complexa. Desistiu da cachaça, mas não tirou os destilados da cabeça. Hoje, produz o pisco Kappa no Chile. Com uvas Muscat de Alexandria e Muscat Rose e dupla destilação em cobre francês, é vendido a R$ 306,02 na Mistral.

LAPOSTOLLE LE ROSÉ 2014

Origem: Vale de Colchagua, Chile

Este corte de 47% de Syrah, 43% de Cabernet Franc e 10% de Carmenère, maturado 6 meses em tanques de aço, é fresco e delicado. Com 13,5% de álcool, deve ser servido a 8°C. Vai bem como aperitivo e com frutos do mar.

BOROBO 2011

Origem: Vale do Rapel e Vale de Casablanca, Chile

Não configura corte clássico e mistura uvas de regiões que formam seu nome: Bordeaux (BO), Rhône (RO) e Borgonha (BO). Passa 17 meses em carvalho e não é filtrado. Para guarda de dez anos.

CLOS APALTA

Origem: Vale de Colchagua, Chile

Preço: R$ 764,09 na Mistral

Corte de 71% de Carmenère, 18% de Cabernet Sauvignon e 11% de Merlot, é um dos preferidos da crítica internacional. Passa 24 meses em carvalho francês novo, tem 15% de álcool e não é filtrado. A decantação é sugerida.

>> Veja a íntegra da edição de 7/1/2016

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