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Haja cafeína! Provamos 20 cápsulas de café expresso em um dia

Reunimos todas as marcas que pudemos achar em São Paulo e provamos cápsula a cápsula para mapear, diante do aumento da oferta, como é o café que sai de cada uma delas. O veredito: ele pode melhorar

21 outubro 2015 | 18:23 por Redação Paladar

A ideia era ambiciosa: provar todos os cafés em cápsulas disponíveis no mercado paulistano. A cidade sofreu uma avalanche de novas marcas no último ano e está difícil escolher – existem cápsulas de qualidade variável, dos cafés especiais aos comuns; cafés de um único lote e blends de fazendas diferentes. Resolvemos provar e avaliar todos eles para facilitar sua escolha.

FOTO: Felipe Rau/Estadão

Percorremos supermercados, delicatessen, lojas especializadas e sites. Conseguimos comprar 20 cafés diferentes, produzidos por 19 marcas (repetimos apenas uma). E convidamos especialistas para avaliá-los. A intenção não era fazer um ranking, escolher o melhor. Mas apenas mostrar o que você vai encontrar em cada cápsula. E desvendar o que é qualidade ou defeito, no caso.

Precisamos de uma tarde inteira para dar conta de tanta cafeína. O consultor em gestão sensorial Ensei Neto, o dono do Sofá Café, Diego Gonzales, e o barista Ton Rodrigues, do True Coffee, avaliaram às cegas os cafés de cápsulas genéricas baseados em quatro aspectos: crema, aroma, corpo e sabor.

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Eles foram unânimes: esse expresso ainda pode melhorar (e muito). Apesar de a maior parte dos cafés refletir o estrago que a seca no Sudeste (90% da área produtiva) causou à safra de 2014, muitos evidenciaram defeitos que vão além do clima. Além disso, como o expresso é um método que concentra aromas e sabores, tudo é maximizado para o bem e para o mal.

Se o produto foi mal tratado desde a lavoura, vai amargar a boca, não importa se o grão virou café coado, expresso convencional ou cápsula. “Sempre vai haver pequenas diferenças de um método de extração para outro, mas a essência do grão é a mesma”, diz Ensei.

FOTO: Felipe Rau/Estadão

Como avaliar se o café é bom

Qualidades

Crema. Deve ser densa e ter cor uniforme, em tons de caramelo

Aroma. Nozes, caramelo e chocolate são algumas das notas aromáticas desejadas. Assim como aromas lácteos também refletem a qualidade da bebida que está na xícara

Corpo. Deve ir de médio a encorpado

Sabor. Notas de chocolate e lácteas são bem vistas. Assim como certa acidez

Defeitos

Crema. Rala, manchada e se desfazendo rapidamente

Aroma. Defeitos não são tão evidentes no nariz, mas fumaça é um deles

Corpo. Pouco corpo. Pode ter micropó (fruto de sementes imaturas e com pouco açúcar).

Sabor. Adstringência e gosto de capim, que vêm de grãos que não amadureceram o suficiente; o amargor excessivo vem da torra intensa. Notas de papel, madeira e fumaça são defeitos também

PROVAMOS 20 CAFÉS PARA VOCÊ ESCOLHER

Os cafés estão listados na sequência em que foram provados: dos mais simples aos especiais

FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão

1. Caffe.com, da Baggio Café (R$ 12, na Casa Santa Luzia)

Crema densa e consistente, corpo médio, notas leves de caramelo e castanhas no aroma. Mas, na boca, a adstringência e um fundo de fumaça, que são defeitos.

2. Café Pelé Graníssimo (R$ 14,90, no Pão de Açúcar)

Crema pouco consistente, se desfez rapidamente. Corpo médio. Mas faltou acidez e sobrou gosto de papel e cinzas. Segundo Ensei, o grão deve ter ido para a torra já morto, oxidado.

3. Baggio Caps Intenso (R$ 14,80, na Casa Santa Luzia)

Aroma de chocolate e caramelo. Na boca, corpo médio e uma boa acidez que chamou a atenção. Porém apareceram traços de ranço, oxidação e certo amargor no final, que prejudicou.

4. Pilão Fortíssimo (R$ 19,90, em cafefacil.com.br)

“Esse bateu errado, extremamente amargo”, “eu vou me omitir nessa”, “esse é para o público acostumado com Pilãozão”, disseram os especialistas, sem saber a marca do café.

5. Utam Uno Extraforte (R$ 15,90, em cafefacil.com.br)

Aroma de nozes, crema consistente. Porém grãos mal selecionados trouxeram adstringência à boca; amargo.

6. Pagliaroni (R$ 14,90, em cafefacil.com.br)

Aroma de chocolate e caramelo, corpo médio. A crema se desfez rápido. Acidez potencial, que se fez presente e saiu correndo.

7. Café da Origem Cerrado (R$ 16,90, em cafefacil.com.br)

Boa apresentação e notas lácteas no aroma. Mas, no final, fica na boca o amargor, um gosto de borracha queimada.

8. DOM Seleto (R$ 15,90, em cafefacil.com.br)

Crema abre rápido, aroma ardido, amargor excessivo, gosto de cinzas, amendoim e madeira (defeitos) prevalecem.

9. Astro Mescla (R$ 19,90, em cafefacil.com.br)

Crema boa, mas ruim na boca: ardido, “capim com Tabasco”, excessivamente picante, desagradável.

10. Vista da Fazenda (R$ 15,90, em cafefacil.com.br)

Tem algo de cítrico e frutado, lembra fruta amarela como pêra williams. Corpo médio e crema consistente. Café com potencial, mas grãos imaturos (afetados pela seca) prejudicaram a bebida.

11. Espresso Blend (R$ 15,90, em cafefacil.com.br)

A conclusão é de que se trata de um lote irregular, já que dois avaliadores sentiram aromas herbáceos, de hortelã, e um, aromas lácteos.

12. Café do Centro Cerrado Mineiro (R$ 19,90, em cafefacil.com.br)

“Notavelmente desqualificado”, este café apresentou crema aberta, frágil, torra queimada e ainda o desagradável gosto de capim.

13. Suplicy (R$ 18,29, no St Marche)

Amargor e gosto de cinzeiro se sobrepõem a eventuais qualidades do café; micropó passou para a xícara, manchando a crema (não é problema de moagem, no caso, e sim problema na matéria-prima prejudicada pela seca.

14. Octavio Café Safira (R$ 19,90, em cafefacil.com.br)

Crema consistente, corpo médio, aroma ligeiramente achocolatado. Mas, no fim, deixou gosto de fumaça e ranço. Segundo Ensei, trata-se de grão que foi seco com a casca. Na boca, o sabor inicial é chocolate, mas ele some, encoberto por um intenso amargor final, que predomina.

15. Orfeu Blend Gourmet (R$ 17,50, em cafefacil.com.br)

Uma das cremas mais elogiadas na prova. Aroma lácteo, sabor de caramelo, com final adstringente e suave amargor, tem boa acidez e doçura.

16. Madame D’Orvilliers (R$ 15,90, em cafefacil.com.br)

Ardido, lembra pimenta, gosto de capim e amendoim, engana com a crema consistente.

17. Santa Mônica (R$ 20,90, em cafefacil.com.br)

Crema espessa, mas não muito bonita, com aromas de nozes. Mas, na boca, amargor e gosto de mato predominam.

18. DOP Eco Fazenda Camocim (R$ 14,50, em cafefacil.com.br)

Crema rala, chegou ao copo destruída, na boca é adstringente e tem “sabores do campo”, de capim. Acidez e doçura bem sutis.

19. Pessegueiro (R$ 33,80, único com 20 cápsulas, na Casa Santa Luzia)

Crema aberta, rala, pálida, mas cresce com romas lácteos e de caramelo. Acidez leve e toque mentolado.

20. Nespresso Ristretto (R$ 17,50, na Nespresso)

Crema bonita e espessa, torra recente à boca, com frescor.

ONDE COMPRAR

- Americanas: www.americanas.com.br

- Café Fácil: www.cafefacil.com.br

- Café Store: www.cafestore.com.br

- Casa Santa Luzia: al. Lorena, 1.471, Jardim Paulista, 3897-5000

- Nespresso: Shopping Higienópolis. Av. Higienópolis, 618, Higienópolis, 0800-777-7737

- Pão de Açúcar: R. Voluntários da Pátria, 1.723, Santana, 2221-6563

- St Marche: Av. Comendador Adibo Ares, 275, Morumbi, 3643-1010

OUTRAS MÁQUINAS

Delta Q

Preço: de R$ 359 a R$ 399

Cápsula: a partir de R$ 1,45

Do grupo português Delta Cafés, aceita só cápsulas próprias, mas tem variedade de sabores.

Dolce Gusto

Preço: de R$ 379 a R$ 999

Cápsula: a partir de R$ 1,38 (expresso)

Da Nestlé, cápsulas próprias englobam uma série de bebidas além do expresso. Há cápsulas compatíveis, como Emohome.

Tres

Preço: R$ 599 a R$ 849

Cápsula: R$ 1,77 o expresso

Desenvolvida pela italiana Caffitaly para a Três Corações. Há variedade de cápsulas para espresso, café filtrado, chás e outras bebidas quentes.

Utam Uno

Preço: R$ 339

Cápsula: R$ 1,79

Lançada em 2013, só recebe cápsulas próprias. Ao todo, são sete blends diferentes.

E dá para reaproveitar cápsulas?

Em setembro de 2013, o barista Leo Moço mostrou como prepara as monodoses com cafés especiais em cápsulas alternativas que importa da França, e o repórter Daniel Telles Marques tentou recarregar cápsulas originais da Nespressos já utilizadas.

>> Veja a íntegra da edição de 22/10/2015

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