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Ho-ho-ho e um pote de rum

Versão poética: umas frutas estavam passeando quando caíram no rum, ficando deliciosas. Versão sintética: alguém pôs as frutas na bebida para conservá-las. Seja qual for a origem, os alemães não passam sem seu ’pote de Natal’

19 dezembro 2012 | 23:12 por heloisalupinacci

Por Ana Freitas

Especial para o Estado, de Berlim

Rumtopf, em alemão, quer dizer pote de rum. E é o nome de uma receita tradicional de Natal na Alemanha e na Dinamarca. Ela começa a ser preparada ainda no verão – em junho, as primeiras frutas são picadas e misturadas a rum e açúcar mascavo, para estarem no ponto na época do Natal.

Quando vai chegando perto das festas de fim de ano, os alemães comem as frutas conservadas no rum com pudins, sorvetes e bolos. Ou bebem a mistura como se fosse um ponche.

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Ficou com água na boca?

Existem várias versões sobre a origem da receita. A que tem cara de lenda diz que, era uma vez, um punhado de frutas caiu em um barril de rum e elas só foram descobertas ali, conservadas e deliciosas, meses depois. Outra, mais prática, conta que o rumtopf surgiu de propósito, da necessidade de preservar as frutas para os meses de inverno.

Fazer um rumtopf é simples: em um pote, basta ir colocando camadas de frutas picadas e cobrindo cada camada com rum e açúcar – a medida de açúcar deve ser a metade do peso de frutas você colocou. As frutas mais usadas são morangos, cerejas, pêssegos, peras, uvas, abacaxis e ameixas. Até dezembro, o pote deve ficar guardado em lugar escuro e fresco.

Eu comecei o meu rumtopf atrasada, em setembro. Felizmente, três meses é o tempo mínimo para que a fruta absorva o álcool e o líquido ganhe a cor e o sabor das frutas. Para o meu rumtopf, escolhi as frutas de acordo com aquilo que encontrava nas feiras de rua ou no supermercado e me parecia mais maduro.

NO COPO

Na taça. Cor remete à casquinha da maçã do amor. FOTOS: Ana Freitas/Estadão

Já nevava há uma semana quando, antes de ir a um weihnachtmarkt – tradicional feira natalina alemã, que lembra uma festa junina, com maçã do amor e glühwein, vinho quente com canela e pedaços de maçã –, resolvi provar o rumtopf para ver se estava bom e se dava ânimo de sair no frio de -8°C. É bom. E esquenta.

Na taça, o cheiro era de caramelo. A cor vermelha, do morango e da framboesa, remete à casquinha da maçã do amor. Diante dessa lembrança de infância, você pode achar que vai dar um gole em uma bebida inofensiva, mas o olfato engana.

A mágica é que, na boca, ele passa de bebida a sobremesa assim que você morde a primeira fruta. O abacaxi é o que mais equilibra a textura e a acidez da fruta com o rum e o açúcar. Foi o melhor. A maçã foi a pior escolha: ficou esponjosa e amarga. Framboesa e morango ficam pálidos e reconhecíveis só pela textura: uma mordida, e eles explodem em rum.

>> Veja todos os textos publicados na edição de 20/12/12 do ‘Paladar’

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