Paladar

Bebida

Bebida

In vino (nem sempre) veritas

Por Sarah DiLorenzo

11 dezembro 2013 | 17:23 por redacaopaladar

Diante de uma pilha de rótulos de Château Cheval Blanc 1947, Arnaud de Laforcade, diretor financeiro da vinícola, logo viu que eram falsos. Ao falsário não faltava ambição: 1947 é um ano excepcionalmente bom, e o Cheval Blanc 1947 é tido como o melhor Bordeaux já produzido. Uma garrafa chega a custar US$ 11,5 mil, segundo o truebottle.com, site que rastreia leilões e aponta rótulos falsos. Hoje, é consenso que a quantidade de vinhos ilustres sendo leiloados é tal que é impossível todos serem verdadeiros.

Vinho falso sempre existiu. No século 18, o rei Luís XV ordenou aos produtores do Côtes du Rhône que gravassem nos barris as letras CDR para impedir fraudes. Mas a falsificação está cada vez mais ambiciosa, estimulada pelos altos preços, consequência da enorme demanda, sobretudo da Ásia.

Prova. Laboratório em Bordeaux analisa garrafas de vinho para detectar falsificações. FOTO: Bob Edme/AP

“Vinho virou moeda, e como toda moeda, há gente disposta a falsificar”, diz Spiros Malandrakis, analista do Euromonitor.

A expert Maureen Downey, da Chai Consulting, diz que a indústria da falsificação de vinhos ficou mais sofisticada e difícil de rastrear. Os novos ricos chineses, por exemplo, não entendiam do assunto e compravam até falsificações grosseiras. Mas nos últimos dois anos, à medida que eles se tornaram connoisseurs, os falsificadores tiveram de se aprimorar.

Bernard Medina, diretor de um laboratório do Ministério das Finanças francês em Bordeaux, desmascara cientificamente falsificações. Vinhos produzidos antes da bomba atômica não têm traços de césio-137. Se tiverem, são falsos. Às vezes, no entanto, ele recebe produtos tão bem falsificados que, no máximo, dá para colocá-los sob suspeita. Falsários compram até garrafas vazias de vinhos célebres, das quais há uma boa oferta na internet.

Para tentar enfrentar a fraude, vinícolas estão gravando a laser nas garrafas números únicos de série. Outras estão usando hologramas que ficam metade na garrafa, metade na cápsula, a capa metálica que cobre a rolha. Se removido, o holograma se fragmenta.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 12/12/2013

Ficou com água na boca?