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Heloisa Lupinacci

IPA com ar de faroeste

A classificação IPA indica que são cervejas do estilo criado no eixo Inglaterra-Índia, mas que ganharam nova identidade no Oeste norte-americano

26 agosto 2015 | 19:51 por Heloisa Lupinacci

Surgiram há pouco duas cervejas brasileiras com a identificação West Coast IPA: Dama Tupi e Seasons Holy Cow #2. Isso quer dizer que são cervejas do estilo criado no eixo Inglaterra-Índia, mas que ganharam nova identidade no Oeste norte-americano. Haja geografia.

Para entender esse mapa, precisa marcar mais um ponto: o vale de Yakima, na costa Oeste, pioneiro na produção de lúpulo nos EUA. Dali começaram a sair os lúpulos cítricos e resinosos que viraram marca desse estilo: na West Coast IPA, tudo fala baixo para que brilhem as notas de grapefruit, maracujá, pinho, grama, entre muitas outras. Reuni seis West Coast IPAs para provar com Luis Celso Jr., do blog Bar do Celso e professor do Instituto da Cerveja.

FOTO: Fernando Sciarra

BALLAST POINT SCULPIN

Origem: Califórnia

Preço: R$ 33 (355 ml)

Eu sei, pagar mais de R$ 30 por uma long neck é puxado. Mas se você quer entender o que é west coast IPA vai ter de fazer esse investimento. Ela é o que se chama de “modelo de estilo”, a cerveja que define o que é uma west coast IPA e com a qual todas as outras serão comparadas. Aqui, a secura, ou seja, a falta de dulçor, ressalta o amargor que vem do lúpulo e as notas aromáticas típicas dos lúpulos norte-americanos, o começo cítrico é marcado pelo grapefruit, tem algo de abacaxi, maracujá e até mamão. Na boca, aparece ainda um leve picante. Combina com churrasco de cupim.

FLYING MONKEY SMASHBOMB ATOMIC

Origem: Ontario, Canadá

Preço: R$ 23

É uma cerveja mais rústica na comparação com a Sculpin. É uma west coast para caubóis. Na aparência, é levemente turva. No nariz, vêm as esperadas notas cítricas do lúpulo. E só. Se prestar atenção dá para notar um toque do caramelo do malte. Na boca, é de amargar. É assertiva e persistente, para quem gosta de provar que aguenta o tranco. Tem uma certa adstringência, levemente desagradável, sensação de travo na boca que muitas vezes indica um certo exagero na hora de colocar lúpulo. Combina com rabada.

SEASONS HOLY COW #2

Origem: Porto Alegre (RS)

Preço: R$ 43 (500 ml)

Antes de cair para trás com o preço, repare: é meio litro (seria R$ 26 por 310 ml). E, na semana que vem, estará engatada, em chope (fresquíssima) no Empório Alto dos Pinheiros (R$ 27, 470 ml), no Brewdog (R$ 23, 285 ml) e no Almadas (R$ 19, 330 ml). Nela, o malte aparece um pouquinho mais para equilibrar o lúpulo, que se mostra com o tradicional buquê cítrico mas também com algumas notas de frutas mais doces, como abacaxi e mamão. O álcool (7,5%) aparece no final do gole. Está bem perto da Sculpin. Combina com hambúrguer com gorgonzola.

DAMA TUPI

Origem: Piracicaba (SP) e Porto Alegre (RS)

Preço: R$ 21 (600 ml)

A combinação entre os aromas do lúpulo, o toque de malte de centeio (que dá viscosidade, fazendo que ela tenha uma linda espuma), a alta carbontação (que faz que seja fácil de beber) e o preço fizeram essa cerveja evaporar das prateleiras – ela foi lançada há pouco e já esgotou. Um novo lote está previsto para outubro, fique ligado. É menos generosa no aroma na comparação com as outras, mas compensa sendo uma versão mais fácil, que dá vontade de beber o dia inteiro. É equilibrada, resolvida, um acerto. Combina com churrasco de dia inteiro.

 JUAN CALOTO

Origem: São Paulo

Preço: R$ 18 (310 ml)

Ela se auto-declara uma Wild West IPA e é saída do cenário de cervejeiros caseiros e lançada por meio do Social Beers (site de crowdfounding cervejeiro que vem servindo de plataforma para lançamento de cervejas e cervejarias – hoje, dá para ir lá comprar uma cota da MoshBeer, uma hop lager de Tegnus Lamas). Ela é o que se espera de uma cerveja do oeste: seca, parruda, amarga. Mas é bem fácil de beber – a carbonatação é alta e as notas cítricas do lúpulo evidentes, convidando a mais goles. Combina com taco de carne com guacamole.

HOP LOVER

Origem: São Paulo (SP)

Preço: R$ 22 (310 ml)

Essa cerveja é um desdobramento do estilo: trata-se de uma Imperial West Coast IPA. Ou seja, tem as características descritas lá no alto mais uma dose um pouco maior de malte, que vai dar em mais álcool (8,5%), mais corpo e mais estrutura, podendo inclusive levar a mais lúpulo ainda. Mas o jeitão west coast está aqui: final seco, gole limpo, lúpulos em primeiríssimo plano. Receita da Serra das Três Pontas, que se fundiu a Noturna e Prima Satt para dar origem à Dogma, ela continuará a existir: o próximo lote chega em outubro. Combina com costela assada.

Ficou com água na boca?