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Já provou espumante com gelo?

Espumantes feitos sob medida para tomar com gelo ignoram a cara feia dos especialistas e invadem as prateleiras nesse fim de ano. Mas será? Reunimos os rótulos disponíveis, convidamos especialistas, e provamos essa nova leva de espumantes

28 dezembro 2016 | 16:51 por Isabelle Moreira LIma

Eles começaram a aparecer de mansinho, como quem não queria nada, causando espanto em todo mundo, repulsa em alguns e até fortes paixões. Mas neste fim de 2016, há um tsunami de espumantes feitos especialmente para se tomar com gelo nas lojas brasileiras. Sua missão, de acordo com os fabricantes, além de ser “o maior hit da estação,” é arrebanhar novos seguidores para o vinho. 

A causa é nobre – a reclamação de que é difícil conquistar os jovens é recorrente entre os produtores. Mas a principal barreira são os connaisseurs, que não veem sentido algum no produto. Um espumante feito para se tomar com gelo é diferente do espumante convencional. Ele tem as características amplificadas para que não sofra com a diluição. É mais doce, tem a mousse mais concentrada, e é mais aromático. Com gelo, a ideia é que tudo fique equilibrado, idealmente como é o produto convencional. 

 

  Foto: Daniel Teixeira|Estadão

Para se ter a experiência perfeita, recomenda-se que o espumante seja previamente resfriado a aproximadamente 8 graus, que seja servido em uma taça de vinho tinto, e que sejam adicionadas de três a cinco pedras de gelo. Quanto mais densa e maior a pedra, melhor (sendo o gelo de posto a pior opção).

O berço desta moda pode ajudar a convencer os que têm má vontade a, pelo menos, experimentar: a Moët Chandon foi a primeira casa de Champagne a desenvolver a bebida em 2011. “Pudemos fazê-lo pela nossa tradição; precisamos conhecer bem as regras antes de quebrá-las. Tivemos a ideia ao ver que as pessoas tomavam Champagne brut com gelo em Saint Tropez, algo que destrói o equilíbrio da bebida. Queríamos uma solução para este problema”, afirmou o chef de cave Benoît Gouez ao Paladar. (O principal embaixador da moda, aliás, é um aficionado dessa época: o ator Bill Murray, guru de hipsters de todo o mundo, é um grande trunfo dos fabricantes, pelo marketing espontâneo.)

A Veuve Clicquot viu futuro no negócio e seguiu a onda três anos mais tarde. Para não copiar, desenvolveu em 2014 uma bebida que pede além do gelo ingredientes para se fazer coquetel. Questionado sobre uma eventual retaliação do público, dado o perfil mais austero da casa, o chef de cave Dominique Demarville diz que ouviu “menos (críticas) do que o que temia”. Segundo ele, consumidores tradicionais, como sommeliers e até outros produtores de Champagne, se mostraram abertos. 

Sinal de que a coisa deu certo é que essas duas casas lançaram neste mês as versões rosé de seus Champagne Ice. E além deles, outras marcas francesas, espanholas e brasileiras invadiram o balde de gelo. O Paladar reuniu 11 rótulos e realizou uma prova dos espumantes com os sommeliers Adiu Bastos (Tuju), Camila Ciganda (La Frontera) e Marcos Martins (Tête à Tête), além do vice-presidente da ABS-SP, José Luiz Borges.

O BRASIL COM DUAS PEDRINHAS NA TAÇA

O gelo também entrou nos espumantes brasileiros. A Chandon foi pioneira e lançou há dois anos seu Passion Rosé Démi-Sec (R$ 94 naWine.com.br) especialmente para se tomar com duas pedrinhas em taça de vinho branco, de olho na moda que já rolava no exterior e querendo pegar uma carona na coquetelaria. Em seu texto de apresentação, chama o espumante de “drinque”. Quem provar este corte de Pinot Noir com Malvasia de Cândia e Moscato Canelli encontrará uma bebida superdoce, com aromas de pêssego e um perlage menos delicado do que se espera de um espumante fino.

 

  Foto: Divulgação

Neste ano, a vinícola Famiglia Zanlorenzi lançou seu Lunar Ice (R$ 31,60 na loja da vinícola), um corte de Chardonnay e Trebbiano feito pelo método Charmat.

 

  Foto: Divulgação

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