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Só de birra

Heloisa Lupinacci

Leva de novidades do Mondial de la Bière

O Mondial de la Bière, em sua primeira edição brasileira, reuniu cervejeiros e curiosos na praça Onze no Rio

20 novembro 2013 | 20:22 por Heloisa Lupinacci

Foram quatro dias, 20 mil pessoas e 650 diferentes rótulos de cerveja. O Mondial de la Bière, em sua primeira edição brasileira, reuniu cervejeiros e curiosos na praça Onze no Rio, elegeu as melhores cervejas nacionais e foi palco de lançamento das principais cervejarias brasileiras – provamos cinco deles, avaliados aqui ao lado na companhia de Ronaldo Rossi, chef, sommelier de cerveja e dono da Cervejoteca.

Chama a atenção que dos cinco rótulos provados, quatro são bem refrescantes e leves, mesmo tendo estilos variados. A lager clara e weizen devem ser leves, mesmo, é o estilo. Mas, no caso da brown ale e da stout, que costumam ser mais pesadas, quentes, é uma boa surpresa experimentá-las em versões frescas, adaptadas ao verão que chega já já.

Júri. Para eleger as melhores cervejas, o festival montou um júri internacional, com Tony Forder, editor do Ale Street News (EIA), os italianos Teo Musso (Baladin) e Giovani Campari (Del Ducato), os canadense Jeannine Marois, presidente do festival, e Serge Nöel, diretor do concurso, e os brasileiros Tatiana Spogis, Kátia Jorge e Gustavo Miranda.

Presidente do júri, Tony Forder elogiou. “Estou impressionado com as cervejas e com a criatividade dos cervejeiros brasileiros.” Crítico do uso excessivo de lúpulo americano, o italiano Giovanni Campari, do Birrificio del Ducato, defendeu o equilíbrio entre tradição, inovação e criatividade: “Sugiro que os produtores daqui sejam ainda mais criativos, mas sem extremismos porque o equilíbrio é o segredo para uma cerveja bem sucedida”.

Burgman Casanova

Origem: Sorocaba (SP)

Preço: R$ 15 (600 ml), no Empório Alto dos Pinheiros

Teor: 5%

Que cerveja fresca e fácil! É uma puro malte leve tipo lager, ou seja, aquilo que todas as cervejas comuns, de boteco, deveriam ser. E leva o lúpulo do momento – o motueka, uma variedade neo-zelandesa indicada exatamente para o uso em lagers claras – em dry hopping (que é adição de lúpulo quando a cerveja está pronta).

Aroma: fresco, característico do lúpulo, que tem notas cítricas com alguma coisa de maracujá.

Sabores: depois que passa o amargo e o fresco do lúpulo, vem um doce meio aguado, gosto de mosto, que é a água com os açúcares do malte.

Vai bem com: pastel.

Bodebrown 4 Blés

Origem: Curitiba. PR

Preço: R$ 90 (750 ml), na Cervejoteca (nas próximas semanas)

Teor: 11,7%

É a mais complexa da rodada e também a única que não é leve. Para quem já está comprando as bebidas das festas de fim de ano, essa é uma cerveja com cara de Natal. Feita com quatro tipos de trigo (flocado, tostado, caramelado e tostado no carvalho), é bem doce, bem ácida e bem amarga.

Aromas: Tem cheiro de jerez.

Sabores: o primeiro golpe é de acidez. Em seguida vem o amargo e, por fim, fica na boca o doce e alcoólico – é um gole que pode dar sede de água.

Vai bem com: escondidinho de carne-seca.

Colorado Titãs

Origem: Ribeirão Preto, SP

Preço: R$ 23,90 (600 ml) na cervejastore.com.br

Teor: 5,5%

É uma brown ale com adição de casca de laranja.

Aromas: no nariz, a combinação é linda, lembra chocolate com laranja cristalizada.

Sabores: no primeiro gole, com o amargor, a memória puxa algo de vitamina C efervescente. Mas nos goles seguintes a coisa volta para o chocolate com laranja. E é surpreendentemente leve, fácil de beber (apesar dessa história de chocolate e laranja na forma de cerveja parecerem enjoativos).

Vai bem com: morcilla na brasa ou asinha de frango.

Fraga Weiss

Origem: Rio de Janeiro (RJ)

Preço: R$ 18,50 na Cervejoteca (nas próximas semanas)

Teor: 5,2%

Era vendida só em barril e passou a ser engarrafada. Como toda cerveja de trigo ao estilo alemão (weizen), ela se apresenta mostrando as tradicionais notas de banana e cravo – geradas pela levedura usada nesse estilo de cerveja durante a refermentação na garrafa – que podem ser enjoativas se estiverem fora de equilíbrio. Não é o caso aqui: equilibrada, é fresca sem ser simples. Repare na textura. É turva, não filtrada e tem aparência bonita, com espuma rendilhada.

Aromas: banana e cravo.

Sabores: doçura e acidez em destaque equilibram o cravo e a banana.

Vai bem com: camarão frito.

Schornstein Imperial Stout

Origem: Holambra (SP)

Preço: R$ 20 (500 ml),no Empório Alto dos Pinheiros

Teor: 8%

Imperial stout que pode ser bebida no verão, é fácil de tomar e refrescante. Estão lá as características do estilo, como os tostados do malte escuro, mas elas não pesam.

Aromas: o nariz é bem achocolatado.

Sabores: o doce do chocolate que veio no nariz dá lugar ao amargo tostado.

Vai bem com: sorvete de creme. Se quiser convencer aquele amigo relutante com harmonização de cerveja e comida, faça uma calda dessa cerveja e sirva o sorvete com a calda e a cerveja.

As melhores

Duas cervejas empataram como a melhor do festival: a Colorado Ithaca Oak Aged e a Wäls Petroleum.

A Ithaca Oak Aged, uma russian imperial stout com rapadura queimada e envelhecida em barril de carvalho, não está à venda. Só chega ao mercado no ano que vem. Vai custar R$ 60. Uma versão mais simples, não envelhecida em barril, a Ithaca (que ganhou ouro no festival do Rio e também nas edições do Canadá e da França), era produzida só para exportação, mas passou a ser feita para o mercado interno uma vez por ano. O preço original é R$ 50 a garrafa, mas chega a R$ 70 (600 ml, no Almadas Beer Store, 3647-8441).

Já a Wäls Petroleum, que também é russian imperial stout e igualmente maturada (com cacau processado na Bélgica), é fácil de achar: custa R$ 21,39 (375 ml, no Pão de Açúcar). A Wäls foi consagrada a melhor cervejaria no festival, com cinco medalhas.

Medalhas de platina

Colorado Ithaca Oak Aged (Ribeirão Preto)

Wäls Petroleum (Belo Horizonte)

Medalha de ouro

Colorado Ithaca (Ribeirão Preto)

Coruja Labareda  (Porto Alegre)

Dortmund Nostradamus  (Amparo)

Invicta Imperial IPA (Ribeirão Preto)

Noi Nera (Niterói)

Bodebrown Black Rye IPA (Curitiba)

Bodebrown Hop-Weiss (Curitiba)

Bodebrown Tripel Montfort Wäls Stadt Jever (Curitiba)

Wäls Quadruppel (Belo Horizonte)

Wäls Trippel (Belo Horizonte)

Wäls Witte (Belo Horizonte)

Cacau IPA (parceria Bodebrown/Stone Brewing)

/ colaborou Thaise Constancio

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