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Manual do bom contraventor

Por Rafael Tonon

16 abril 2014 | 22:46 por redacaopaladar

Ele nasceu no Kentucky (Estado famoso pela tradição de fazer bons uísques) e é um dos fundadores da Kings County Distillery, inaugurada em 2010. a primeira destilaria aberta em Nova York desde a Lei Seca (1920–1933). Colin Spoelman é coautor do Guide to Urban Moonshining – How to Make and Drink Whiskey (Guia para o destilador urbano – Como fazer e beber uísque), guia lançado em novembro nos Estados Unidos (ainda sem previsão de publicação no Brasil) que conta a relação dos EUA com a bebida e ensina em detalhes como fazer a destilação segura em casa.

FOTO: Divulgação

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No livro, vocês afirmam que há uma nova geração de produtores clandestinos destilando uísque em casa. Por quê?

À medida que a economia global foi afastando as pessoas dos agricultores e fabricantes, surgiu paralelamente um interesse renovado em coisas feitas à mão – e o uísque é um desses produtos que se beneficiam muito da pequena escala, do trato artesanal. Mas, mais importante, as pessoas atualmente querem saber mais sobre aquilo que consomem, e o uísque envolve muitos mitos e exageros, então as pessoas são curiosas com o que realmente faz bom uísque, e o melhor jeito de aprender é tentar fazê-lo.

Como o mercado de uísques e destilados artesanais cresceu nos EUA nos últimos anos?

Estimamos que existam cerca de 400 a 500 destilarias artesanais operando hoje no país. Dessas, três quartos estão fazendo o uísque que eu acredito que só seja possível com um bom e cuidadoso mestre destilador. O que mostra a importância do artesanal. Dito isso, é preciso ressaltar que muitas destilarias, muitas delas novas, não conseguem envelhecer seus uísques por muito tempo (por questões de operação e preço), então fazem e vendem. O que os uísques perdem em características de envelhecimento, aportam em criatividade. Então, a despeito das tradições dos bourbons e dos uísques de centeio, há uma série de novos uísques americanos sendo criados.

Por que você acredita que o uísque e os coquetéis clássicos serão a próxima tendência? Como essa onda está se tornando realmente grande?

Eu acho que as pessoas cansaram de vodca. É um destilado que não tem uma característica intrínseca e é definido pela legislação americana como uma bebida sem sabor, sem cor e sem aroma. É sem graça em comparação a outros destilados, já que é feita apenas para ser misturada. O uísque tem muito mais variedade, o que dá ao barman e ao consumidor muito mais possibilidades.

O uísque está voltando a ganhar popularidade?

Sim, é interessante ver que o uísque está renascendo: ele andava bastante impopular nos EUA, com o consumo caindo, até que, há cinco anos, começou a viver um ressurgimento. Acho que é uma tendência que deve continuar a crescer à medida que os destiladores artesanais ensinem mais às pessoas sobre a bebida e como apreciar melhor suas características. Isso vai aumentar o interesse sobre a bebida. Além disso, com mais gente produzindo uísque de modo artesanal, visitando destilarias e fazendo coquetéis, essa bebida de séculos vai continuar nova.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 17/4/2014

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