A Copa do copo: confira a degustação de doze vodcas do mundo

Formamos uma seleção com rótulos de diferentes países, convocamos um time de degustadores e marcamos o jogo para um campo neutro. O embate foi às cegas e o placar você confere aqui

Matheus Prado - O Estado de S.Paulo

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Degustar vodca é como uma brincadeira de esconde-esconde: tentar encontrar aquilo que quer se esconder. A busca por aromas num destilado que é produzido e comercializado como neutro não é uma tarefa exatamente fácil. O alto nível alcoólico e o fato de a bebida ser servida gelada dificultam ainda mais a análise, pois ajudam a ocultar sabores e aromas. 

  Foto: Felipe Rau|Estadão

Os russos, seus criadores e maiores consumidores, tomam na refeição, em pequenos goles, geralmente acompanhando pratos e petiscos gordurosos. 

Mas, apesar de produtores pelo mundo todo tentarem fazer a bebida da forma mais neutra possível, quando o destilado está em temperatura ambiente é possível mapear aromas e principalmente analisar texturas na boca, captando a personalidade de cada rótulo. Como a bebida pode ser destilada com diversas matérias-primas, o resultado final pode ser bem heterogêneo. 

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Reunimos 12 rótulos disponíveis no mercado nacional, provenientes de sete países: Brasil, França, Suécia, Finlândia, Rússia, Polônia e Holanda. Formamos o grupo com a participação da bartender e consultora Adriana Pino; do sócio da Cia. Tradicional de Comércio Ricardo Garrido; do coordenador de bar do Astor, Lucivaldo Pereira; do repórter do Estado Gilberto Amendola; do designer do Estado Adriano Araújo; e dos repórteres do Paladar Carla Peralva e Matheus Prado. Reservamos uma mesa no Astor do shopping JK e começamos os trabalhos, às cegas. Ou seja, provamos e comparamos as vodcas sem saber quais eram.

Confira os resultados na galeria abaixo.

Degustação de vodcas

1 | 12 À base de cevada, a escandinava Finlandia é macia e equilibrada na boca, mas extremamente alcoólica no primeiro gole e no nariz. Revela doçura no final. Joga bem o básico. R$ 90 (1 l) na Casa Santa Luzia. Foto: Felipe Rau/Estadão
2 | 12 Vodca brasileira e orgânica a base de cana-de-açúcar, a TiiV não faz feio no nariz. Tem perfume agradável e cítrico. Na boca é picante. Boa promessa para a próxima disputa. R$ 79 (1 l) na Casa Santa Luzia. Foto: Felipe Rau/Estadão
3 | 12 A Standard, russa de São Petersburgo e feita com trigo de inverno, tem perfil tradicional – é neutra. Leve e pouco complexa, mas persiste. Não empolga a torcida. R$ 99,90 (1 l) no Empório Frei Caneca. Foto: Felipe Rau/Estadão
4 | 12 De uma escola clássica de vodca, a polonesa Wyborowa esconde o jogo no nariz, mas entrega seu perfil na boca. Produzida à base de centeio, é macia, com equilíbrio. R$ 49,90 (1 l) no Empório Frei Caneca. Foto: Felipe Rau/Estadão
5 | 12 A gigante sueca até investe em versões com sabores, mas seu rótulo tradicional é, com justiça, a base da marca. Joga bem, mas não é craque. Tem aroma leve e fresco, é docinha e desaparece devagar do paladar. R$ 84,99 (1 l) no Imigrantes Bebidas. Foto: Absolut
6 | 12 A russa Stolichnaya, de trigo e centeio, diz logo ao que veio. É mais pontuda que suas concorrentes nesta degustação e tem um aroma fortemente alcoólico – vai bem em drinques. É a marca mais forte da seleção russa no mundo todo. R$ 99,90 (750 ml) no St. Marché. Foto: Stolichnaya
7 | 12 Esta é a vodca nacional mais premiada. Produzida em Santa Catarina e lançada em 2013, na degustação levou cartão amarelo devido ao forte aroma alcoólico, que “lembra acetona”. Na boca é adocicada. R$ 104 (750 ml) no Empório Alto dos Pinheiros. Foto: Felipe Rau/Estadão
8 | 12 Redonda, honrou a camisa em campo. O saborosa vodca feita na França, à base de trigo, é agradável no nariz e uma festa na boca. É herbal e estruturada, com muita personalidade. R$ 127,99 (750 ml) no Imigrantes Bebidas. Foto: Grey Goose
9 | 12 A craque da degustação. No nariz, a francesa é frutada e floral, sem perder delicadeza. Na boca, sabor de uva (base da bebida), persistência e retrogosto agradável. R$ 199 (750 ml) no St. Marché. Foto: Cîroc
10 | 12 A representante holandesa da prova, feita à base de trigo e de produção artesanal. Um pouco apimentada na boca, mas neutra em campo. Seca. R$ 109 (1 l) no St. Marché. Foto: Ketel One
11 | 12 Gol da Polônia! A Belvedere – de centeio – entrega o que se pede de uma boa vodca: corpo, persistência e textura aveludada na boca. R$ 168 (700 ml) no St. Marché. Foto: Belvedere
12 | 12 Receita russa feita no Brasil, tem sabor familiar, mas não se destaca no nariz nem na boca. Fica no banco. Boa para drinques. R$ 34,99 (998 ml) no Imigrantes Bebidas. Foto: Smirnoff

 

 

No freezer, na geladeira ou no armário ?

Tanto faz. Se for guardada na geladeira ou no freezer, fica mais fácil de beber, porque a temperatura baixa atenua seu teor alcoólico e seus sabores. Apesar disso, esse tipo de conservação nada agrega ao perfil do destilado. Quer dizer, pode deixar no armário, mesmo. O único cuidado é que a garrafa fique longe da exposição de luz.

 

Qual é o copo ideal?

Especialista em cachaça e destilados, Isadora Bello Fornari explica que a bebida vai bem num copo shot – especialmente se a ideia é neutralizar a força da vodca, como é tradicional com o destilado. Para degustar e identificar o perfil da vodca, o copo indicado é a taça ISO, que permite uma maior valorização dos sabores. 

 

O que procurar numa vodca?

Apesar de ser vendida como neutra e andar escondida em diversos coquetéis, a vodca possui diferentes personalidades. Existem rótulos secos, picantes, amanteigados, florais. Para encontrar os sabores, é necessário que a bebida não esteja gelada e que o copo seja abaulado entre o bojo e a boca, como a taça ISO, para promover os aromas.

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