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Heloisa Lupinacci

Marcelo Carneiro: ‘Eles não compraram minha alma’

Confira a entrevista com o fundador da Colorado

08 julho 2015 | 20:52 por Heloisa Lupinacci

Entrevista: Marcelo Carneiro, fundador da Colorado

FOTO: Felipe Rau/Estadão

Você fica na Colorado?

Continuo na Colorado e a equipe também. O Cervejarium  (bar da fábrica) é meu (ficou fora da negociação). Eles não estão comprando minha alma. Acabei de desligar o telefone com o Charlie Papazian (presidente da Brewers Association e ícone da revolução cervejeira nos EUA) e ele disse: “Você sempre será um de nós”.

Mas é Ambev.

Sim, e a Ambev é supercompetitiva. Quero ser um embaixador da cultura cervejeira dentro da gigante. O bebedor gosta de ter sua liberdade de escolha respeitada. A Ambev ainda está tateando esse mercado. E, no fim, se tem mais cerveja artesanal para o grande público, é bom para todo mundo. Deixa passar o filme inteiro. Assiste o filme até o final.

Você esperava essa proposta?

Nunca pensei que eles fossem me procurar, porque sempre fui muito crítico. Fiquei surpreso e lisonjeado. Eu achava que era carta fora do baralho.

O que muda?

Sempre trabalhei ingredientes brasileiros de forma empírica. Agora vou trabalhar de forma científica, em um laboratório. E daqui pra frente é inaugurar a nova fábrica, que já abre com planos de expansão (produz hoje 140 mil litros/mês; a nova fábrica abre com 280 mil litros/mês, com plano de expandir para 1,5 milhão litros/mês).

E no setor como um todo?

Com a crise, acho que a cena vai ter uma acomodação nos próximos anos e depois volta a crescer como vinha crescendo.

Ficou com água na boca?