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Matando a sede do Velho Oeste

Por Daniel Telles Marques

25 setembro 2013 | 23:05 por redacaopaladar

Quando os americanos rumaram para o oeste no final do século 19, lá estava a Anchor para matar a sede dos bravos buscadores de ouro. A cervejaria abriu em 1871, sobreviveu à Lei Seca, a um incêndio e ao império das lagers, antes da retomada da cerveja artesanal nos Estados Unidos, na década de 1980.

Atualmente, é uma das cervejarias americanas mais influentes da indústria artesanal do país: é dona da Steam Beer (que, antes de ser marca registrada, é dos poucos estilos tipicamente americano) e da 21ª posição no ranking americano de cervejarias artesanais, com capacidade de produção de 180 mil barris (28 milhões de litros) e perspectiva de crescimento para 680 mil barris com inauguração da nova fábrica da marca, um projeto de US$ 80 milhões.

A Anchor foi a primeira cervejaria a usar lúpulo cascade – que cresce nas montanhas dos EUA – em uma receita. Como isso, disseminou o uso desse lúpulo entre os cervejeiros artesanais do país. Também foi pioneira na brassagem do estilo barley wine – ale forte, que passa por envelhecimento e é densa – e na retomada na fabricação das cervejas de trigo nos Estados Unidos. Além disso, foi ao passado remoto da bebida quando lançou a série especial Ninkasi Beer, produzida a partir de uma receita suméria de 4 mil anos.

Atualmente, além de cerveja, a Anchor produz uísque e um hop-gin (gim temperado com lúpulo) que está entre os mais elogiados do país.

Não se trata de uma cervejaria virtuose de estilos, como são muitas das fabricantes artesanais norte-americanas – e nem por isso saiu de moda. Suas cervejas estão sempre bem pontuadas no Beer Advocate e Rate Beer (principais fóruns online de avaliação de cerveja dos Estados Unidos).

A Anchor faz cervejas simples, que apresentam estilos sem firulas. São bebidas menos conceituais e mais de copo. E, para prová-las, Alexandre Marcussi, antropólogo e autor do blog ocrueomaltado.blogspot.com, e Bruno Couto, sommelier de cerveja, participaram desta degustação.

FOTOS: Felipe Rau/Estadão

Anchor Liberty Ale

Origem: Estados Unidos

Preço: R$ 35,91 (650 ml) na submarino.com

Teor: 5,9%

Receita criada em 1975, foi a primeira cerveja comercial dos Estados Unidos a usar o lúpulo cascade. É uma IPA americana moderna (tanto pelo uso do lúpulo em questão quanto pela carbonatação intensa, fazendo-a mais refrescante que uma IPA comum).

Vai bem com: burritos, peixes de carne bem branca e massas com molhos claros.

Anchor Christmas Happy New Year

Origem: Estados Unidos

Preço: R$ 22 (355 ml), no Empório Alto dos Pinheiros (tel. 3031-4328)

Teor: 5,5%

Sazonal mais famosa da cervejaria, está disponível do começo de novembro ao meio de janeiro nos EUA. É uma típica cerveja inglesa feita ao modo americano. Os tipos de lúpulo e malte usados são guardados a sete chaves. É escura e refrescante, de carbonatação intensa e retrogosto prolongado.

Aromas: herbáceo, cravo, canela, gengibre, maçã e ameixas.

Vai bem com: torta de maçã e lombo de porco grelhado.

Anchor Brekle’s Brown

Origem: Estados Unidos

Preço: R$ 19,99 (355 ml), na puromalte.com

Teor: 6%

Cerveja criada em 2010 em homenagem ao fundador da Anchor, o alemão Gottlieb Brekle. Feita com maltes torrados e lúpulo citra (um dos mais recentes queridinhos dos cervejeiros americanos e atualmente dos brasileiros que seguem o rumo americano).

Aromas: amadeirado, caramelo, própolis e mentol.

Vai bem com: sobrecoxa de frango com bacon, assados de boi e queijos amarelos suaves.

Anchor Steam Beer

Origem: Estado Unidos

Preço: R$ 32,99 (650 ml), na imigrantesbebidas.com

Teor: 4,9%

Steam (vapor) foi o apelido que as cervejas de alta carbonatação da Costa Oeste receberam dos primeiros desbravadores. Embora a origem do nome permaneça um mistério, dizem que ele surgiu porque a cerveja era fermentada nos telhados das cervejarias, soltando vapor no céu. Atualmente, é fabricado só pela Anchor, mas foi um estilo comum em cervejarias californianas do século retrasado.

Aromas: condimentados, adocicados e frutados.

Sabores: amargor alto, doçura baixa e acidez média para alta.

Vai bem com: salmão defumado.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 26/9/2013

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