Paladar

Bebida

Bebida

Morgon, o tinto que combina com calor

O verão inspira a tomar brancos frescos, espumantes e rosés. Mas o calor não é motivo para abolir os tintos das taças. Cada vinho tem sua ocasião, e há tintos que rimam com verão. Este painel reúne bons exemplares de Morgon, tinto leve e fresco feito com a variedade Gamay em uma área de Beaujolais, vizinha ao sul da Borgonha.

10 dezembro 2014 | 19:30 por marcelmiwa

Historicamente considerada o patinho feio da Borgonha, a Gamay foi proibida na região em 1395 por ordens do duque Filipe II. Sob o argumento de que não teria nobreza suficiente para crescer na Côte d’Or e estaria deturpando a personalidade da Pinot Noir, a Gamay foi empurrada para o sul, para as encostas graníticas de Beaujolais. Sem se preocupar com a rejeição, a cepa começou a encontrar suas diferentes expressões, que resultaram em dez “crus”, sub-regiões onde nasciam os melhores vinhos de Beaujolais.

Morgon foi particularmente beneficiado por ser o berço de alguns vinhateiros que abraçaram a vinificação natural, como Marcel Lapierre (morto em 2010) e Jean Foillard, e teve ótimas safras em 2005 e 2009.

****

DOMINIQUE PIRON MORGON CÔTE DU PY 2011

Foi o outro destaque do painel. Completo, elegante e fresco. Tem frutas frescas (framboesa), flores (violeta), mineral, ervas e especiarias em harmonia e taninos finos e firmes. Para Hector, um vinho que parece uma flecha, por sua verticalidade.

****

JEAN FOILLARD MORGON 2011

Mesmo estilo de Lapierre, com um pouco mais de fruta vermelha no nariz. A boca é direta, levemente austera em sua acidez e com taninos que merecem uns poucos anos de guarda. De acordo com Hector, “um vinho com nobre rusticidade”.

*****

M. LAPIERRE MORGON 2011

O nariz é intrigante e indefinido. Na boca, é sedutor. A mescla de frutas vermelhas frescas com flores e especiarias é seguida por taninos finos e polidos. A acidez é exemplar e no final há algo de pão tostado e terra. Um Morgon com começo, meio e fim.

***

DOMAINE DE L’OUBY MORGON 2009

Com cinco anos em garrafa, este Morgon não deve evoluir mais. Os aromas são de especiarias (alcaçuz e canela), terra e fruta vermelha muito madura (morango cozido). Os taninos estão amaciados pelo tempo.

****

LOUIS JADOT CHÂTEAU DES JACQUES MORGON 2010

Boa surpresa por ser de um grande produtor na Borgonha. Feito com capricho, com fruta limpa, ótima acidez e algo de café com leite. Os taninos são discretos, mas dão estrutura ao vinho.

****

HENRY FESSY MORGON 2012

Preço: R$ 92 na Inovini

Expressão mais simples e didática. Os aromas da maceração carbônica estão presentes (banana e tutti frutti), com algo herbal e de morango fresco. O tanino tem sutil rusticidade e é acompanhado de bom frescor. Pode evoluir.

Legenda:

****** Ótimo. O exemplo do painel.

**** Bom. Muitas virtudes para a categoria.

*** Ok. Algumas virtudes dentro de sua categoria.

** Regular. Apenas correto e sem defeitos.

* Ruim. Não recomendável.

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 11/12/2014

Ficou com água na boca?